Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2021
Mulher, 54 anos, última menstruação há 3 anos, antecedente de 3 partos vaginais com amamentação. Queixa-se de saída espontânea de secreção de cor marrom no mamilo direito. Nega uso de medicamentos, outras comorbidades ou antecedentes cirúrgicos. Ao exame clínico, palpação de mamas revela tecido lipossubstituido, observando-se saída de pequena quantidade de secreção de cor marrom por diferentes ductos em mamilo direito, quando realizada a expressão retroareolar. Regiões axilares sem achados significativos. Qual é o achado de imagem compatível com o exame clínico?
Secreção mamilar multiductal marrom em pós-menopausa → benigna, pensar em ectasia ductal ou mastopatia fibrocística. USG: dilatação ductal.
Secreção mamilar multiductal, de cor marrom ou esverdeada, especialmente em mulheres na pós-menopausa, é frequentemente associada a condições benignas como a ectasia ductal ou alterações fibrocísticas. A expressão retroareolar que provoca a saída de secreção por múltiplos ductos reforça a benignidade. O achado de imagem mais compatível com essas condições é a dilatação dos ductos mamários à ultrassonografia.
A secreção mamilar é uma queixa comum na prática ginecológica e mastológica, exigindo uma avaliação cuidadosa para diferenciar causas benignas de malignas. Sua importância clínica reside na necessidade de excluir patologias graves, especialmente o câncer de mama. A epidemiologia mostra que a maioria das secreções mamilares, particularmente as multiductais e de cores variadas (não sanguinolentas), são de origem benigna, como ectasia ductal ou alterações fibrocísticas. O diagnóstico diferencial da secreção mamilar baseia-se em características como uni ou multiductalidade, uni ou bilateralidade, cor, consistência e se é espontânea ou induzida. A secreção marrom multiductal, como no caso apresentado, é classicamente associada a ectasia ductal, uma condição benigna onde há dilatação dos ductos mamários. O exame clínico, com a expressão retroareolar, é crucial para identificar a origem e as características da secreção. Em termos de investigação por imagem, a mamografia é o primeiro passo para mulheres acima de 40 anos, mas a ultrassonografia mamária é particularmente útil para avaliar os ductos e identificar dilatações ou lesões intraductais. A dilatação ductal é um achado ultrassonográfico compatível com a ectasia ductal. Para residentes, é vital dominar a semiologia da mama e a interpretação dos exames de imagem para conduzir a investigação de forma eficaz e tranquilizar a paciente quando a etiologia é benigna, ou prosseguir com biópsia quando há suspeita de malignidade.
Características que sugerem benignidade incluem secreção multiductal (saindo por vários orifícios), bilateralidade, coloração esverdeada, marrom, leitosa ou amarelada, e ser espontânea ou facilmente expressa. Geralmente, está associada a alterações fibrocísticas ou ectasia ductal.
A secreção mamilar é mais preocupante quando é unilateral, uniductal (saindo por um único orifício), espontânea e sanguinolenta (vermelha ou rosada). Nesses casos, a investigação para carcinoma intraductal ou papiloma intraductal é prioritária.
A ultrassonografia mamária é fundamental para avaliar a arquitetura ductal, identificar dilatações ductais, papilomas intraductais ou outras lesões intraductais que podem ser a causa da secreção. É especialmente útil para caracterizar achados em mamas densas e para guiar biópsias, se necessário.
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