HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2025
Paciente do sexo masculino, 26 anos de idade, procedente da zona da mata de Pernambuco, após se banhar em uma lagoa na zona rural, refere quadro de febre há 3 dias, mialgia, artralgia intensa e tosse seca. O exame físico revelou hepatoesplenomegalia. Os exames laboratoriais demonstravam eosinofilia, função hepática nomal, assim com não havia outras alterações na função renal, eletrólitos e nos demais parâmetros do hemograma. Com base nesse quadro hipotético, assinale a alternativa correta.
Schistosomose aguda (Febre Katayama): febre, mialgia, artralgia, tosse, hepatoesplenomegalia e eosinofilia. Glomerulonefrite é complicação rara.
A febre Katayama é a forma aguda da esquistossomose mansoni, caracterizada por sintomas sistêmicos e eosinofilia, após exposição à água contaminada. Embora rara, a glomerulonefrite é uma complicação imunocomplexo-mediada descrita na doença.
A esquistossomose mansoni é uma doença parasitária crônica causada pelo trematódeo Schistosoma mansoni, endêmica em diversas regiões do Brasil, especialmente no Nordeste. A infecção ocorre pelo contato com águas doces contaminadas por larvas (cercárias) liberadas por caramujos do gênero Biomphalaria. A doença pode se manifestar em uma fase aguda, conhecida como Febre Katayama, e uma fase crônica, com complicações graves. A Febre Katayama, ou esquistossomose aguda, surge semanas após a exposição inicial às cercárias, quando os vermes adultos começam a produzir ovos. Os sintomas incluem febre, calafrios, cefaleia, mialgia, artralgia, tosse seca, diarreia e hepatoesplenomegalia. A eosinofilia é um achado laboratorial característico dessa fase, refletindo a intensa resposta imune do hospedeiro aos antígenos parasitários. O diagnóstico é feito pela história epidemiológica, quadro clínico e exames parasitológicos de fezes (método de Kato-Katz) ou sorologia. As complicações da esquistossomose são mais evidentes na fase crônica. A fibrose hepática periportal, levando à hipertensão portal e suas consequências (varizes esofágicas, ascite, esplenomegalia), é a mais grave. Outras complicações incluem a mielorradiculopatia esquistossomótica e, mais raramente, a hipertensão pulmonar e a glomerulonefrite. A glomerulonefrite é uma complicação imunocomplexo-mediada, onde a deposição de antígenos parasitários e anticorpos nos glomérulos renais leva à lesão. O tratamento é feito com praziquantel, eficaz contra as formas adultas do parasita, e medidas de suporte para as complicações.
A Febre Katayama manifesta-se com febre, mialgia, artralgia intensa, tosse seca, diarreia e hepatoesplenomegalia. É comum observar eosinofilia nos exames laboratoriais, refletindo a resposta imune à migração dos parasitas.
Na fase crônica, as complicações mais comuns são a fibrose hepática periportal (fibrose de Symmers), hipertensão portal, varizes esofágicas com risco de sangramento, e as formas ectópicas como a mielorradiculopatia esquistossomótica. Hipertensão pulmonar também pode ocorrer.
A glomerulonefrite na esquistossomose é uma complicação rara, mas bem descrita, que ocorre devido à deposição de imunocomplexos nas membranas glomerulares. Esses imunocomplexos são formados por antígenos do parasita e anticorpos do hospedeiro, levando a dano renal.
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