PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2018
Marta é uma mulher transgênero de 47 anos, que deseja fazer seus exames de rotina na unidade de saúde. Ela é casada com uma mulher há 20 anos e não tem relações extraconjugais. Faz uso diário de hormonioterapia prescrita por colega há alguns anos e aguarda cirurgia para readequação de sexo. Marta também acha que está com a pressão alta, pois sente cefaleia eventual na região occipital. Sobre o atendimento prestado a Marta, analise a assertiva a seguir, marcando CERTO para verdadeiro/correto e ERRADO para falso/incorreto. A orientação sobre os efeitos colaterais possíveis do uso de hormônios chamamos de prevenção secundária, devendo-se, no caso de Marta, optar pela suspensão do medicamento devido aos riscos cardiovasculares.
Hormonioterapia em pessoas trans exige monitoramento de risco, não suspensão automática por sintomas inespecíficos.
O cuidado à saúde trans deve ser centrado na pessoa, evitando a patologização e a suspensão desnecessária de hormônios, focando na redução de danos e controle de comorbidades.
A saúde da população transgênero na Atenção Primária à Saúde (APS) envolve o reconhecimento das necessidades específicas de transição e a manutenção da saúde geral. A hormonioterapia é uma intervenção central para muitos indivíduos trans, e sua gestão deve equilibrar os benefícios para a saúde mental e afirmação de gênero com os riscos metabólicos e cardiovasculares potenciais. Suspender abruptamente o tratamento sem uma indicação absoluta pode levar ao sofrimento psíquico grave e ao afastamento do paciente do sistema de saúde. Os níveis de prevenção devem ser aplicados corretamente: a prevenção primária foca em evitar a doença; a secundária no diagnóstico precoce; a terciária na reabilitação; e a quaternária na proteção contra intervenções médicas excessivas ou desnecessárias. No caso clínico, a cefaleia occipital sugere a necessidade de triagem para hipertensão arterial, mas a suspensão da hormonioterapia sem avaliação criteriosa seria uma conduta iatrogênica, contrariando os princípios da medicina baseada em evidências e do cuidado centrado na pessoa.
A prevenção secundária refere-se à detecção precoce de doenças em estágios assintomáticos para melhorar o prognóstico, como o rastreamento de câncer ou hipertensão. Orientar sobre efeitos colaterais de uma medicação em uso não se enquadra como prevenção secundária, mas sim como parte do manejo terapêutico e prevenção primária ou quaternária (evitar iatrogenia).
O uso de estrogênios, especialmente em formulações orais e em pacientes com outros fatores de risco (tabagismo, idade avançada), está associado a um risco aumentado de tromboembolismo venoso (TEV) e, em menor escala, eventos isquêmicos. No entanto, a conduta diante de cefaleia ou suspeita de hipertensão é a investigação e controle pressórico, não a suspensão imediata da terapia hormonal que é vital para a identidade da paciente.
O acolhimento deve respeitar o nome social, garantir a dignidade e evitar o julgamento. Na Atenção Primária, o médico deve atuar na coordenação do cuidado, monitorando os efeitos da hormonioterapia (como níveis de prolactina, função hepática e perfil lipídico) e garantindo que o paciente não recorra ao uso de hormônios de forma clandestina por falta de suporte médico.
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