Rastreamento de Câncer em Homens Trans: Colpocitologia

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

João, homem trans de quarenta anos de idade, foi à consulta de acompanhamento de hormonização, na UBS, com seu médico de família. Entre os temas tratados na consulta, o médico abordou os rastreamentos populacionais para ele. Com base nesse caso hipotético e no que determina o Ministério da Saúde, o rastreamento mais apropriado, considerando-se que João esteja sem sintomas na consulta e não possua antecedentes familiares de neoplasias, seria

Alternativas

  1. A) PSA total e livre e toque retal.
  2. B) PSA total e livre.
  3. C) colpocitologia oncótica e ultrassonografia das mamas.
  4. D) somente colpocitologia oncótica.
  5. E) colpocitologia oncótica e mamografia.

Pérola Clínica

Homem trans com útero e colo → colpocitologia oncótica para rastreamento de câncer de colo, independente da hormonização.

Resumo-Chave

Homens trans que mantêm órgãos reprodutores femininos (útero, colo do útero, mamas) devem seguir os rastreamentos populacionais para cânceres relacionados a esses órgãos, independentemente da hormonização. A colpocitologia oncótica é essencial para o rastreamento de câncer de colo de útero.

Contexto Educacional

A saúde da população trans exige uma abordagem sensível e informada, considerando as características biológicas e as identidades de gênero. Para homens trans (pessoas designadas como mulheres ao nascer que se identificam como homens), o rastreamento de câncer deve ser guiado pela presença dos órgãos. No caso de João, um homem trans de 40 anos em hormonização, sem sintomas e sem antecedentes familiares de neoplasias, o rastreamento mais apropriado é a colpocitologia oncótica. Isso se deve ao fato de que, mesmo com a hormonização com testosterona, ele ainda possui útero e colo do útero, órgãos suscetíveis ao câncer de colo, que é prevenível e detectável por esse exame. A testosterona não confere proteção contra o HPV ou o desenvolvimento de lesões cervicais. Rastreamentos como PSA e toque retal para câncer de próstata não são aplicáveis, pois homens trans não possuem próstata. O rastreamento de câncer de mama (mamografia) seria considerado se ele mantivesse as mamas, seguindo as diretrizes para mulheres cisgênero, mas a questão não especifica a presença de mamas e foca no rastreamento mais apropriado entre as opções. Portanto, a colpocitologia é a indicação mais direta e universalmente aplicável para homens trans com colo uterino.

Perguntas Frequentes

Quais rastreamentos de câncer são indicados para homens trans?

Homens trans devem seguir os rastreamentos para os órgãos que possuem. Se mantiverem útero e colo, a colpocitologia oncótica é indicada para câncer de colo. Se mantiverem mamas, a mamografia pode ser considerada conforme a idade e fatores de risco. O rastreamento de próstata (PSA, toque retal) não é indicado, pois não possuem próstata.

A hormonização com testosterona afeta o risco de câncer de colo de útero?

A hormonização com testosterona em homens trans não elimina o risco de câncer de colo de útero. Embora possa haver atrofia do epitélio cervical, o risco de infecção por HPV e desenvolvimento de lesões pré-cancerígenas persiste, tornando a colpocitologia oncótica ainda necessária para detecção precoce.

Quando o rastreamento de câncer de mama é indicado para homens trans?

O rastreamento de câncer de mama em homens trans que não realizaram mastectomia deve seguir as diretrizes para mulheres cisgênero, geralmente a partir dos 40-50 anos, dependendo dos fatores de risco e das diretrizes locais, com mamografia. A testosterona não confere proteção contra o câncer de mama, e o tecido mamário residual ainda apresenta risco.

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