Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020
Uma paciente de 22 anos de idade, moradora de área livre, está com odor forte e incomodando os outros pacientes que aguardam o acolhimento da equipe. Faz uso frequente de álcool e crack e, desde os doze anos de idade, não faz acompanhamento em um posto de saúde. Está com tosse produtiva há quatro dias, mas foi à unidade por estar com dor de dente há doze horas. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
Mulheres em situação de rua → alto risco violência sexual → LARC (implante) é prioridade.
A população de rua, especialmente mulheres, é extremamente vulnerável à violência, incluindo a sexual. Métodos contraceptivos de longa duração e reversíveis (LARC), como o implante subdérmico, são altamente indicados para essa população, pois não dependem da adesão diária e oferecem proteção eficaz contra gravidez indesejada em um contexto de alto risco e difícil acesso à saúde.
A situação de saúde da população em situação de rua é um desafio complexo para os sistemas de saúde, exigindo uma abordagem integral e humanizada. Mulheres nessa condição são particularmente vulneráveis, enfrentando riscos elevados de violência, incluindo a sexual, além de barreiras significativas ao acesso a cuidados de saúde básicos. A questão hipotética ilustra a necessidade de ir além da queixa principal imediata e considerar o contexto social e as múltiplas vulnerabilidades da paciente. A tosse produtiva, mesmo que recente, em uma paciente com histórico de uso de substâncias e sem acompanhamento de saúde, deve levantar a suspeita de tuberculose, uma doença prevalente nessa população. No entanto, a alternativa correta foca em uma necessidade de saúde preventiva crucial e muitas vezes negligenciada: a contracepção. Devido ao alto risco de violência sexual e à dificuldade de adesão a métodos contraceptivos que exigem uso regular ou acesso frequente a serviços de saúde, os métodos contraceptivos de longa duração e reversíveis (LARC), como o implante subdérmico de etonogestrel ou o DIU, são fortemente recomendados para mulheres em situação de rua. Esses métodos oferecem alta eficácia, discrição e não dependem da adesão diária, proporcionando uma proteção essencial contra gravidez indesejada em um ambiente de extrema vulnerabilidade. O acolhimento deve ser pautado na integralidade, equidade e na compreensão das necessidades específicas dessa população.
Mulheres em situação de rua enfrentam barreiras significativas ao acesso à saúde, incluindo a dificuldade de adesão a métodos contraceptivos diários ou mensais. Os LARCs, como o implante subdérmico ou DIU, oferecem alta eficácia e não dependem da lembrança ou acesso regular a serviços, sendo ideais para essa população vulnerável à gravidez indesejada e violência sexual.
O acolhimento deve ser universal, sem julgamentos, garantindo o acesso à saúde independentemente de documentação ou endereço fixo. Deve-se priorizar a escuta qualificada, a identificação de necessidades imediatas e a construção de vínculo, considerando a complexidade social e de saúde desses indivíduos.
Além da tosse (que pode indicar tuberculose), são comuns infecções de pele, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), transtornos mentais, uso abusivo de substâncias, desnutrição, doenças crônicas não tratadas e traumas. Uma abordagem integral é fundamental para identificar e manejar essas condições.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo