UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Com relação às demandas de saúde na atenção primária à saúde (APS), relacionadas às doenças infecciosas e transmissíveis, julgue o item que se segue. Embora ainda não exista método de proteção especificamente desenvolvido para o sexo entre vaginas nem para o sexo oral-vaginal, o médico da família e comunidade (MFC) pode indicar a casais de mulheres lésbicas a adaptação de preservativos masculinos e femininos e o uso de dental dam, por exemplo, como métodos eficazes na proteção contra infecções sexualmente transmissíveis (IST).
Sexo entre mulheres exige proteção → Dental dam ou preservativo adaptado previnem ISTs (HPV, HSV, Sífilis).
A ausência de métodos comerciais específicos para o sexo entre vaginas não exclui o risco de IST; a adaptação de barreiras físicas é uma prática recomendada de redução de danos.
A abordagem da saúde sexual de mulheres lésbicas e bissexuais na Atenção Primária à Saúde (APS) deve ser pautada pela equidade e pela quebra de preconceitos. Historicamente, esse grupo enfrenta barreiras no acesso à saúde e recebe menos orientações preventivas, muitas vezes devido à falsa percepção de 'baixo risco' por parte dos profissionais. É dever do Médico de Família e Comunidade (MFC) criar um ambiente acolhedor onde a orientação sexual possa ser discutida abertamente. A recomendação de métodos de barreira adaptados é uma estratégia de redução de danos essencial. Além da proteção física, o profissional deve reforçar a importância do rastreamento do câncer de colo de útero (Papanicolau), uma vez que o HPV é facilmente transmitido entre mulheres. A educação em saúde deve incluir a higienização de acessórios sexuais e a importância do diagnóstico precoce de úlceras ou corrimentos, garantindo uma vida sexual plena e segura.
O dental dam, ou dique de borracha, é uma folha fina de látex ou poliuretano. Embora originalmente criado para uso odontológico, na saúde sexual ele serve como uma barreira física colocada sobre a vulva ou o ânus durante o sexo oral. Ele impede o contato direto entre a mucosa bucal e os fluidos ou mucosas genitais da parceria, reduzindo significativamente o risco de transmissão de patógenos como o HPV, o vírus do Herpes Simples (HSV), a sífilis e outras infecções bacterianas.
Como o dental dam pode ser difícil de encontrar comercialmente, o médico deve orientar a adaptação do preservativo masculino ou feminino. Para o preservativo masculino, deve-se cortar a extremidade fechada (reservatório) e o anel da base, e então realizar um corte longitudinal ao longo do corpo do preservativo. Isso transforma o cilindro em um retângulo de látex que pode ser estendido sobre a região genital, funcionando como uma barreira protetora eficaz durante o contato oral-vaginal.
As ISTs mais frequentemente transmitidas entre mulheres incluem o HPV (papilomavírus humano), que pode causar verrugas genitais e lesões precursoras de câncer de colo de útero, o Herpes Simples (HSV), a Tricomoníase e a Sífilis. Além disso, a Vaginose Bacteriana, embora não seja estritamente uma IST, apresenta alta taxa de transmissão entre parceiras devido à troca de microbiota vaginal. O compartilhamento de brinquedos sexuais sem higienização ou proteção também é uma via importante de transmissão.
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