AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2022
Daniel, 35 anos, é um homem transsexual e veio à consulta queixando-se de corrimento vaginal amarelo-acinzentado, abundante e com odor fétido, há cerca de cinco dias, sem dor e sem prurido, que iniciou alguns dias após o período menstrual. É casado e tem parceira fixa há dez anos. Está um pouco ansioso em relação ao atendimento, pois nunca realizou nenhuma avaliação ginecológica e quer aproveitar para esclarecer dúvidas em relação a isso, pois apesar de se identificar como homem, nunca fez nenhum procedimento cirúrgico de redesignação de gênero. Considerando a situação exposta, analise as afirmativas abaixo.I - Se o teste com KOH a 10% for positivo e o pH vaginal maior que 4,5, confirma-se o diagnóstico de vaginose bacteriana e o tratamento com metronidazol ou clindamicina está indicado.II - Não há recomendação de realizar colpocitologia oncótica como rastreio de câncer de colo uterino, por tratar-se um homem trans.III - A vaginose pode ser transmitida na relação sexual entre genitálias femininas, embora não seja considerada uma IST.IV - Os índices de depressão, suicídio e ansiedade são mais elevados nessa população, devendo o profissional de saúde oportunizar o momento da consulta para realizar o rastreamento de tais condições.Assinale a alternativa com as afirmativas corretas.
Homens trans com colo uterino precisam de rastreamento para câncer de colo. Vaginose bacteriana = pH > 4,5, KOH+, clue cells.
Homens trans que não realizaram histerectomia ainda possuem colo uterino e, portanto, necessitam de rastreamento para câncer de colo uterino com colpocitologia oncótica. A vaginose bacteriana é diagnosticada pelos critérios de Amsel (pH > 4,5, teste de aminas positivo, corrimento característico e clue cells) e tratada com metronidazol ou clindamicina. É crucial abordar a saúde mental da população trans devido às altas taxas de depressão e ansiedade.
A saúde de homens transsexuais é um campo complexo que exige uma abordagem sensível e informada por parte dos profissionais de saúde. É fundamental reconhecer que a identidade de gênero não define as necessidades biológicas de rastreamento. Homens trans que não se submeteram a cirurgias de redesignação de gênero que removem o colo uterino (como a histerectomia) ainda possuem risco de desenvolver câncer de colo uterino e, portanto, devem ser rastreados com colpocitologia oncótica de acordo com as diretrizes populacionais. A vaginose bacteriana é uma condição comum que afeta indivíduos com vagina, caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal normal. Os sintomas típicos incluem corrimento amarelo-acinzentado com odor fétido ("cheiro de peixe"), especialmente após a relação sexual ou menstruação, sem dor ou prurido intenso. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Amsel, que incluem pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo, presença de "clue cells" e corrimento homogêneo. O tratamento de escolha é metronidazol ou clindamicina. Além das questões físicas, a saúde mental é uma preocupação crítica na população trans. Devido ao preconceito, discriminação e barreiras no acesso à saúde, esses indivíduos frequentemente apresentam taxas elevadas de depressão, ansiedade, estresse pós-traumático e ideação suicida. É imperativo que os profissionais de saúde criem um ambiente acolhedor, validem a identidade de gênero do paciente e ofereçam rastreamento e suporte para questões de saúde mental, encaminhando para especialistas quando necessário.
Sim, homens trans que não realizaram histerectomia e, portanto, ainda possuem colo uterino, devem seguir as diretrizes de rastreamento para câncer de colo uterino com colpocitologia oncótica, independentemente de sua identidade de gênero.
Os critérios de Amsel para vaginose bacteriana incluem a presença de corrimento vaginal homogêneo, pH vaginal maior que 4,5, teste de aminas (whiff test) positivo com KOH a 10%, e a visualização de "clue cells" (células-guia) na microscopia.
A população trans enfrenta altos níveis de estigma, discriminação, violência e dificuldades de acesso a serviços de saúde, o que contribui para taxas elevadas de depressão, ansiedade, ideação suicida e outros problemas de saúde mental, necessitando de atenção e acolhimento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo