Saturnismo: Diagnóstico e Manejo da Intoxicação por Chumbo

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Um homem com 45 anos de idade procura a Unidade Básica de Saúde, queixando-se de redução da libido, dificuldade de concentração, perda de memória e formigamento nos braços e mãos. Relata também fadiga, cefaleia e constipação crônicas e afirma fazer tratamento para hipertensão arterial sistêmica e gota há 5 anos. Informa que trabalha com reforma de baterias de automóveis há mais de 30 anos, na garagem da sua casa, com pouca ventilação e espaço reduzido e que nunca fez uso de equipamentos de proteção. Com base nas informações apresentadas, a hipótese diagnóstica mais provável e os exames complementares necessários para confirmá-lo são:

Alternativas

  1. A) Mercurismo; dosagem de mercúrio sérico e hemograma completo.
  2. B) Manganismo; dosagem de manganês sérico e hemograma com contagem de plaquetas.
  3. C) Saturnismo; dosagem de chumbo sérico e de ácido delta aminolevulínico (ALA-U) na urina.
  4. D) Benzenismo; dosagem de metahemoglobina sérica e de ácido transmucônico (AttM-U) na urina.

Pérola Clínica

Trabalho com baterias + anemia + gota + sintomas neurológicos = Saturnismo (Chumbo).

Resumo-Chave

O saturnismo é a intoxicação crônica por chumbo, comum em indústrias de baterias, diagnosticado pela plumbemia e pelo aumento do ALA-U urinário.

Contexto Educacional

O saturnismo é uma das doenças ocupacionais mais antigas e ainda prevalentes em setores informais de reciclagem. O chumbo compete com o cálcio e o ferro em diversos processos biológicos, ligando-se a grupos sulfidrila de enzimas essenciais. A inibição da enzima ALA-desidratase é o mecanismo que leva ao aumento do ALA-U. Clinicamente, o quadro de fadiga, hipertensão arterial e gota em um paciente relativamente jovem deve sempre levantar a suspeita de exposição a metais pesados. O tratamento envolve, primordialmente, o afastamento imediato da fonte de exposição. Em casos de níveis séricos muito elevados (>70-100 µg/dL) ou encefalopatia, utiliza-se terapia quelante com agentes como o EDTA cálcico ou o succímero (DMSA).

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas do saturnismo?

O saturnismo (intoxicação por chumbo) apresenta manifestações multissistêmicas. No sistema nervoso, causa irritabilidade, perda de memória, dificuldade de concentração e neuropatia periférica (clássica queda do punho). No trato gastrointestinal, provoca a 'cólica do chumbo' e constipação. No sistema renal, pode causar nefropatia crônica e redução da excreção de ácido úrico, levando à 'gota saturnina'. Outros sinais incluem a linha de Burton (orla gengival azulada) e anemia com pontilhado basofílico.

Como é feito o diagnóstico laboratorial do saturnismo?

O diagnóstico baseia-se na história de exposição e em exames laboratoriais. O principal indicador de exposição recente e carga corporal é a plumbemia (dosagem de chumbo sérico). Como o chumbo interfere na síntese do heme, ocorre o acúmulo de precursores, sendo a dosagem do Ácido Delta-Aminolevulínico na urina (ALA-U) um biomarcador clássico de efeito precoce. O hemograma pode mostrar anemia normocítica ou microcítica com pontilhado basofílico nas hemácias.

Por que o trabalho com baterias é um risco para saturnismo?

As baterias automotivas de chumbo-ácido contêm grandes quantidades de chumbo metálico e óxidos de chumbo. Durante a reforma ou reciclagem informal (frequentemente feita em ambientes domésticos e mal ventilados), o chumbo é fundido ou lixado, gerando vapores e poeiras finas que são facilmente inalados ou ingeridos pelo trabalhador. A falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e higiene inadequada potencializam a absorção crônica do metal.

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