ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um paciente de 64 anos apresenta uma massa abdominal palpável, perda de peso não intencional e desconforto abdominal vago que persiste há alguns meses. A tomografia computadorizada do abdômen revela uma grande massa retroperitoneal. Diante desse quadro, a combinação mais apropriada de diagnóstico e tratamento para esse caso é:
Massa retroperitoneal suspeita → Biópsia guiada por TC + Ressecção cirúrgica com margens livres.
A maioria das massas retroperitoniais primárias em adultos são sarcomas. O manejo padrão envolve o diagnóstico histológico por agulha grossa e a ressecção cirúrgica em bloco para controle oncológico.
O retroperitônio é um espaço anatômico complexo que abriga estruturas vitais. Tumores nessa região frequentemente crescem de forma silenciosa, manifestando-se apenas quando atingem grandes dimensões, causando compressão de órgãos vizinhos ou massa palpável. O sarcoma retroperitoneal representa cerca de 15% de todos os sarcomas de partes moles. A abordagem diagnóstica moderna prioriza a imagem (TC ou RM) seguida de biópsia percutânea para planejamento terapêutico. A cirurgia é o único tratamento potencialmente curativo, exigindo técnica refinada para evitar lesões vasculares e garantir a retirada completa da lesão com margens microscópicas negativas.
A biópsia percutânea por agulha grossa (core biopsy) guiada por TC permite obter tecido suficiente para o diagnóstico histológico e imuno-histoquímico, essencial para diferenciar tipos de sarcomas ou linfomas, sem a morbidade de uma cirurgia aberta. Quando realizada por via retroperitoneal, minimiza o risco de contaminação da cavidade peritoneal, preservando os planos cirúrgicos para a ressecção definitiva.
O tratamento padrão-ouro é a ressecção cirúrgica completa (R0) com margens oncológicas. Devido à localização e ao tamanho dessas massas, muitas vezes é necessária a ressecção de órgãos adjacentes (como rim, cólon ou pâncreas) para garantir que não restem células tumorais, já que a radioterapia e a quimioterapia têm papel limitado como tratamento exclusivo.
Os principais diferenciais incluem os sarcomas (lipossarcoma e leiomiossarcoma são os mais comuns), linfomas, tumores de células germinativas extragonadais, metástases de outros sítios primários e tumores benignos como o schwannoma. A história clínica e a imagem são fundamentais, mas a histologia define a conduta.
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