Propedêutica Complementar em Uveítes: Sarcoidose e Testes

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013

Enunciado

Sobre a propedêutica complementar nas uveítes, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) O resultado do teste tuberculínico (PPD) não sofre influência do uso de corticosteróide sistêmico.
  2. B) A dosagem do nível sérico da enzima conversora da angiotensina é útil na suspeita de sarcoidose.
  3. C) A positividade do HLA-B27 confirma a doença de Behçet.
  4. D) O aumento do número de células inflamatórias no líquor é irrelevante no diagnóstico das uveítes difusas.

Pérola Clínica

Suspeita de Sarcoidose → Solicitar ECA sérica + Lisozima + TC de tórax.

Resumo-Chave

A dosagem da ECA sérica é um marcador útil para sarcoidose, refletindo a carga total de granulomas no organismo, embora sua especificidade seja limitada.

Contexto Educacional

O diagnóstico das uveítes exige uma abordagem sistêmica. Na sarcoidose, a biópsia de tecidos envolvidos (como conjuntiva ou glândula lacrimal se houver nódulos) é o padrão-ouro, mas marcadores séricos como ECA e lisozima aumentam a probabilidade diagnóstica. Em uveítes difusas ou síndromes como Vogt-Koyanagi-Harada, a análise do líquor pode mostrar pleocitose linfocitária, sendo um dado clínico relevante e não irrelevante.

Perguntas Frequentes

Qual o valor da ECA no diagnóstico da sarcoidose ocular?

A Enzima Conversora de Angiotensina (ECA) é produzida pelas células epitelioides dos granulomas sarcoídicos. Níveis elevados sugerem sarcoidose ativa, especialmente se associados a níveis elevados de lisozima e linfadenopatia hilar na TC de tórax. Contudo, a ECA pode estar normal em casos de sarcoidose quiescente ou em pacientes usando inibidores da ECA para hipertensão.

O uso de corticoide interfere no teste de PPD?

Sim. O uso de corticosteroides sistêmicos ou outros imunossupressores pode causar anergia cutânea, levando a resultados falso-negativos no teste tuberculínico (PPD). Portanto, a interpretação do PPD em pacientes já imunossuprimidos deve ser cautelosa, preferindo-se, se possível, a realização do teste antes do início da terapia.

Qual a relação entre HLA e as uveítes mencionadas?

O HLA-B27 está fortemente associado a uveítes anteriores agudas não granulomatosas e espondiloartropatias (como espondilite anquilosante). Já a Doença de Behçet, caracterizada por uveíte com hipópio e vasculite retinal, tem associação clássica com o HLA-B51, e não com o B27.

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