Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019
Nos últimos anos, casos de sarampo têm sido reportados em várias partes do mundo e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os países dos continentes europeu e africano registraram o maior número de casos da doença. No Brasil, os últimos casos de sarampo foram registrados no ano de 2015, em surtos ocorridos nos estados do Ceará (211 casos), de São Paulo (dois casos) e de Roraima (um caso), associados ao surto do Ceará. Em 2016, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo pela OMS, declarando a região das Américas livre do sarampo. A Venezuela enfrenta, desde julho de 2017, um surto de sarampo, sendo a maioria dos casos provenientes do estado de Bolívar. O estado de Roraima vem recebendo imigrantes desse país, que se encontram alojados em abrigos, residências alugadas e praças públicas. Em 14/2/2018, a Secretaria de Saúde do estado de Roraima (SES/RR) notificou ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) do Ministério da Saúde um caso suspeito de sarampo, no município de Boa Vista-RR. Tratava-se de uma criança de um ano de idade, venezuelana, não vacinada, que apresentou febre, exantema, acompanhado de tosse, coriza e conjuntivite, sendo confirmado por critério laboratorial. Até o dia 1.°/10, foram notificados 516 casos suspeitos de sarampo, dos quais 330 foram confirmados e 101 estão em investigação. A tabela abaixo traz os casos confirmados de sarampo, por faixa etária, em Roraima, em 2018. A partir dos dados da tabela apresentada, assinale a alternativa correta.
Em surtos de sarampo, a vacinação 'dose zero' (a partir de 6 meses) é prioritária para lactentes <1 ano, que não recebem vacina de rotina.
Em situações de surto de sarampo, lactentes menores de um ano, que normalmente não são vacinados na rotina (primeira dose aos 12 meses), tornam-se um grupo de alta vulnerabilidade e prioritário para a vacinação com a 'dose zero' (a partir dos 6 meses de idade) para contenção da doença e proteção individual.
O sarampo é uma doença infecciosa aguda, altamente contagiosa, causada por um vírus RNA da família Paramyxoviridae. Apesar dos esforços globais de vacinação, surtos ainda ocorrem em diversas partes do mundo, especialmente em regiões com baixas coberturas vacinais ou em contextos de migração populacional. No Brasil, após a certificação de eliminação pela OMS em 2016, a reintrodução do vírus e a queda nas coberturas vacinais levaram a novos surtos, como o ocorrido em Roraima em 2018, evidenciando a fragilidade da imunidade coletiva. A epidemiologia do sarampo em surtos frequentemente mostra uma maior incidência em grupos não vacinados ou sub-vacinados. Os lactentes menores de um ano são particularmente vulneráveis, pois não recebem a vacina tríplice viral (SCR) na rotina antes dos 12 meses de idade (a primeira dose é aos 12 meses e a segunda aos 15 meses). Em cenários de surto, a estratégia de 'dose zero' é implementada, vacinando lactentes a partir dos 6 meses de idade para conferir proteção precoce, embora essa dose não seja contabilizada como parte do esquema vacinal de rotina e deva ser seguida pelas doses padrão. O diagnóstico do sarampo é clínico-epidemiológico e laboratorial, com a detecção de anticorpos IgM específicos. O manejo é de suporte, pois não há tratamento antiviral específico. A prevenção, através da vacinação, é a medida mais eficaz para controlar a doença. Para residentes, é crucial compreender a dinâmica de surtos de doenças imunopreveníveis, a importância das altas coberturas vacinais e as estratégias de vacinação diferenciadas em situações epidêmicas para proteger as populações mais vulneráveis e conter a disseminação do vírus.
Em situações de surto de sarampo, a recomendação é aplicar a 'dose zero' da vacina tríplice viral (SCR) em lactentes de 6 a 11 meses de idade. Esta dose não substitui as doses de rotina, que devem ser administradas aos 12 e 15 meses de idade.
O Brasil, após receber o certificado de eliminação do sarampo em 2016, enfrentou novos surtos devido à reintrodução do vírus por importação de casos (especialmente de países vizinhos com baixas coberturas vacinais) e à queda nas coberturas vacinais internas, criando bolsões de suscetíveis.
Os principais sintomas do sarampo incluem febre alta, exantema maculopapular que se inicia na face e se espalha para o corpo, tosse, coriza, conjuntivite e as manchas de Koplik (pequenas manchas brancas na mucosa oral) que aparecem antes do exantema.
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