Sarampo: Diagnóstico e Profilaxia Pós-Exposição

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 22 anos de idade, sem comorbidades, iniciou, há cinco dias, quadro de febre alta, coriza, tosse seca e conjuntivite. Há um dia, evoluiu com erupções cutâneas exantemáticas e piora dos sintomas respiratórios, mantendo febre, e procurou o pronto-socorro. Nega ter recebido vacinações nos últimos dez anos e não sabe para quais doenças está imunizado, pois perdeu a carteirinha de vacinação. Há três dias, durante o período compreendido entre o início dos sintomas e o surgimento das lesões de pele, teve contato muito próximo com sobrinho com quatro meses de vida e com um irmão há seis meses transplantado de células hematopoiéticas. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o diagnóstico e as condutas adequadas para o sobrinho e o irmão do paciente.

Alternativas

  1. A) sarampo e realizar imunização passiva, com imunoglobulina, no sobrinho e no irmão transplantado
  2. B) sarampo e realizar vacinação de bloqueio no irmão transplantado e no sobrinho
  3. C) rubéola e realizar imunização passiva, com imunoglobulina, no sobrinho e vacina de bloqueio no irmão transplantado
  4. D) mononucleose infecciosa e realizar imunização passiva, com imunoglobulina, no sobrinho e no irmão transplantado
  5. E) sarampo e realizar vacinação de bloqueio no sobrinho e imunização passiva, com imunoglobulina, no irmão transplantado

Pérola Clínica

Sarampo: febre, tosse, coriza, conjuntivite + exantema. Contato com <6m ou imunocomprometido → Imunoglobulina.

Resumo-Chave

O sarampo é altamente contagioso e a profilaxia pós-exposição é crucial para grupos de risco. Lactentes menores de 6 meses e imunocomprometidos não podem receber a vacina e necessitam de imunização passiva com imunoglobulina para prevenir ou atenuar a doença.

Contexto Educacional

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, causada por um paramixovírus, que ainda representa um desafio de saúde pública, especialmente em contextos de baixa cobertura vacinal. Caracteriza-se por um período prodrômico de febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguido pelo surgimento de um exantema maculopapular. A transmissão ocorre por via respiratória, e a doença pode levar a complicações graves como pneumonia, encefalite e óbito, sendo particularmente perigosa para lactentes e imunocomprometidos. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas característicos e no histórico de exposição ou vacinação. A profilaxia pós-exposição é crucial para controlar surtos e proteger indivíduos vulneráveis. Para contatos suscetíveis sem contraindicações, a vacina tríplice viral (SCR) pode ser administrada como vacina de bloqueio em até 72 horas. No entanto, para grupos de alto risco que não podem receber vacinas de vírus vivos, como lactentes menores de 6 meses, gestantes suscetíveis e imunocomprometidos, a imunização passiva com imunoglobulina é a conduta de escolha, devendo ser administrada em até 6 dias após o contato. A vacinação é a medida mais eficaz para prevenir o sarampo. O esquema vacinal padrão inclui duas doses da vacina tríplice viral. A atenção à carteira de vacinação e a rápida identificação de casos suspeitos são fundamentais para a saúde coletiva. A conduta adequada em situações de contato com grupos de risco é um ponto crítico para residentes, visando a prevenção de complicações e a interrupção da cadeia de transmissão.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas clínicos do sarampo?

O sarampo se manifesta com febre alta, tosse, coriza, conjuntivite (pródromos) e, posteriormente, exantema maculopapular que se inicia na face e se espalha para o corpo.

Quando a imunoglobulina é indicada para profilaxia pós-exposição ao sarampo?

A imunoglobulina é indicada para contatos suscetíveis de alto risco que não podem receber a vacina, como lactentes menores de 6 meses, gestantes suscetíveis e imunocomprometidos.

Qual a diferença entre vacina de bloqueio e imunoglobulina no sarampo?

A vacina de bloqueio é para contatos suscetíveis sem contraindicações, administrada em até 72h. A imunoglobulina oferece imunização passiva e é para grupos de alto risco que não podem ser vacinados, administrada em até 6 dias.

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