Doenças Exantemáticas: Diagnóstico Diferencial em Pediatria

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025

Enunciado

Sobre o diagnóstico diferencial das principais doenças exantemáticas em Pediatria, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Entre os critérios diagnósticos da doença de Kawasaki encontram-se a conjuntivite exsudativa, o exantema papular ou vesicular e alterações em boca e língua.
  2. B) O pródromo de tosse, coriza e conjuntivite precede comumente o exantema morbiliforme do sarampo, e um enantema típico pode ser encontrado na mucosa jugal da criança.
  3. C) O exantema súbito é doença comum na faixa etária do escolar e inicia-se na maior parte das vezes com rash avermelhado em região de bochechas bilateralmente, com aspecto característico de face esbofeteada.
  4. D) Na escarlatina, doença exantemática comum em bebês menores de um ano, comumente a erupção cutânea poupa a região da face e, por ser doença causada por toxinas, não há necessidade de antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Sarampo: pródromo catarral (tosse, coriza, conjuntivite) + manchas de Koplik + exantema morbiliforme descendente.

Resumo-Chave

O sarampo é uma doença exantemática clássica, cujo diagnóstico é facilitado pelo reconhecimento do pródromo característico de tosse, coriza e conjuntivite, seguido pelo aparecimento das manchas de Koplik na mucosa jugal, que precedem o exantema morbiliforme generalizado.

Contexto Educacional

As doenças exantemáticas representam um grupo comum de afecções em Pediatria, com etiologias diversas (virais, bacterianas) e apresentações clínicas que podem se sobrepor. O diagnóstico diferencial preciso é crucial para o manejo adequado, prevenção de complicações e controle de surtos. Residentes devem dominar as características distintivas de cada doença para uma prática clínica segura e eficaz. O sarampo, por exemplo, é uma doença viral altamente contagiosa, caracterizada por um pródromo catarral (tosse, coriza, conjuntivite) e o enantema patognomônico de manchas de Koplik na mucosa jugal, que precedem o exantema maculopapular morbiliforme que se inicia na face e se espalha para o corpo. Em contraste, a doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica que requer critérios diagnósticos específicos, incluindo febre prolongada e alterações mucocutâneas e de extremidades, sem exsudato conjuntival. O exantema súbito, por sua vez, é uma doença viral comum em lactentes, com febre alta súbita seguida pelo aparecimento de um exantema róseo após a defervescência. A escarlatina, de etiologia bacteriana (Streptococcus pyogenes), apresenta um exantema micropapular eritematoso com textura de 'lixa', palidez perioral e língua em framboesa, exigindo antibioticoterapia para prevenir febre reumática. O conhecimento aprofundado dessas nuances é vital para evitar erros diagnósticos e garantir a melhor conduta terapêutica, especialmente em um cenário de calendários vacinais incompletos ou surtos de doenças antes controladas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da doença de Kawasaki?

A doença de Kawasaki é diagnosticada pela presença de febre por pelo menos 5 dias, associada a 4 dos 5 critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações em boca e faringe (lábios eritematosos, fissurados, língua em framboesa), alterações em extremidades (eritema, edema, descamação), exantema polimorfo e linfadenopatia cervical. Não há conjuntivite exsudativa ou exantema papular/vesicular específico.

Qual a diferença entre exantema súbito e eritema infeccioso?

O exantema súbito (roséola) é causado pelo HHV-6, comum em lactentes, com febre alta por 3-5 dias seguida pelo surgimento de um exantema maculopapular róseo. O eritema infeccioso (quinta doença) é causado pelo parvovírus B19, mais comum em escolares, e se caracteriza pelo exantema em 'face esbofeteada' e padrão rendilhado em tronco e membros, sem febre alta prolongada.

Por que a escarlatina necessita de antibioticoterapia, mesmo sendo causada por toxinas?

A escarlatina, causada por toxinas eritrogênicas do Streptococcus pyogenes, necessita de antibioticoterapia (penicilina) para erradicar a bactéria e prevenir complicações não supurativas graves, como a febre reumática e a glomerulonefrite pós-estreptocócica. A antibioticoterapia não é apenas para o exantema, mas para a prevenção de sequelas.

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