Sarampo na Gravidez: Conduta e Profilaxia Pós-Exposição

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Uma gestante de 22 anos, no segundo trimestre de gravidez, trabalha como babá de uma criança de 2 anos. Todos os dias a criança vai para escola de manhã e fica com essa babá, no período da tarde. Na segunda-feira, a babá chega para trabalhar e os pais da criança informam que a criança está com sarampo. Entretanto, eles precisam trabalhar e pedem para a babá ficar cuidando da criança. A babá com receio de perder o emprego decide ficar. No dia seguinte, conversando com uma vizinha, a babá fica preocupada de ter se infectado com o vírus do sarampo. Ela mora na cidade há apenas 2 anos. Sempre morou na ""roça"" e não se lembra se tomou vacina contra o sarampo. Ela também não tem cartão de vacinas. No cartão de pré-natal consta apenas a vacina de tétano, que tomou no início da gestação. Decide, então, procurar seu médico de família e comunidade na unidade próxima de sua casa. Com base na situação descrita, assinale a alternativa que descreve a melhor conduta a ser tomada pelo médico de família e comunidade.

Alternativas

  1. A) Prescrição de imunoglobulina.
  2. B) Observação clínica e tratamento de suporte.
  3. C) Prescrição de vacina tríplice viral e imunoglobulina.
  4. D) Prescrição de vacina tríplice viral.

Pérola Clínica

Gestante não vacinada exposta a sarampo → Imunoglobulina (profilaxia passiva), NÃO vacina tríplice viral (contraindicada).

Resumo-Chave

Em gestantes não vacinadas ou com status vacinal incerto que foram expostas ao vírus do sarampo, a conduta é a administração de imunoglobulina humana (profilaxia passiva) o mais rápido possível, idealmente em até 6 dias após a exposição, para prevenir ou atenuar a doença. A vacina tríplice viral é contraindicada na gravidez.

Contexto Educacional

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, e sua ocorrência durante a gravidez representa um risco significativo tanto para a gestante quanto para o feto. A infecção materna pode levar a complicações graves, como pneumonia e encefalite, e está associada a um aumento do risco de aborto espontâneo, parto prematuro e baixo peso ao nascer. Embora o risco de síndrome de sarampo congênito seja baixo, a preocupação com a saúde materno-fetal é primordial. A fisiopatologia da infecção envolve a replicação viral e a resposta inflamatória sistêmica. Em gestantes não imunizadas, a exposição ao vírus requer uma intervenção rápida para tentar prevenir ou atenuar a doença. O diagnóstico de exposição é clínico e epidemiológico. A conduta se baseia na imunização passiva, que confere proteção imediata. A melhor conduta para uma gestante não vacinada ou com status vacinal incerto que foi exposta ao sarampo é a administração de imunoglobulina humana. Esta deve ser feita o mais rápido possível, idealmente dentro de 72 horas, mas pode ser considerada até 6 dias após a exposição. A imunoglobulina fornece anticorpos pré-formados, conferindo proteção passiva. É crucial ressaltar que a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) é uma vacina de vírus vivo atenuado e, portanto, formalmente contraindicada durante a gravidez e por um mês antes da concepção. A compreensão dessas diretrizes é vital para a segurança da gestante e do feto.

Perguntas Frequentes

Quais são os riscos do sarampo para a gestante e para o feto?

O sarampo na gestação pode aumentar o risco de aborto espontâneo, parto prematuro, baixo peso ao nascer e, em casos raros, malformações congênitas. Para a gestante, pode levar a pneumonia e encefalite.

Por que a vacina tríplice viral é contraindicada na gravidez?

A vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) é composta por vírus vivos atenuados, e há um risco teórico de transmissão vertical e teratogenicidade, embora não haja evidências de dano fetal. Por precaução, é contraindicada.

Quando a imunoglobulina deve ser administrada após a exposição ao sarampo?

A imunoglobulina deve ser administrada o mais rápido possível após a exposição, idealmente dentro de 72 horas, mas pode ser eficaz se administrada em até 6 dias (144 horas) após o contato.

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