Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2020
Considere o caso clínico a seguir. Criança de 1 ano e 6 meses é levada a uma consulta médica. Iniciou com quadro de febre e mal-estar. Após 24 horas de evolução, apresentou coriza, conjuntivite e tosse. No quarto dia de doença, evoluiu com erupção maculopapular eritematosa em linha de implantação dos cabelos, envolvendo fronte, região retroauricular e região superior da nuca, com progressão para face, pescoço, membros superiores e tronco. No sétimo dia de doença, comparece ao pronto- atendimento, mantendo exantema, sem descamação. Ao exame, encontrava-se em regular estado geral, com hiperemia de orofaringe e exantema mencionado. Pais apresentam caderneta da criança com as seguintes vacinas administradas: BCG e Hepatite B. Diante do quadro apresentado, é correto afirmar que se trata de um caso
Criança não vacinada com febre, tosse, coriza, conjuntivite + exantema maculopapular céfalo-caudal → Sarampo provável.
O sarampo é uma doença exantemática altamente contagiosa, caracterizada por um pródromo de febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguido por um exantema maculopapular que surge na face e se espalha para o tronco e membros. A história vacinal incompleta ou ausente é um forte indicativo, e a progressão céfalo-caudal do exantema é um achado clássico.
O sarampo é uma doença infecciosa aguda, altamente contagiosa, causada por um vírus RNA da família Paramyxoviridae. Apesar da existência de uma vacina eficaz, surtos ainda ocorrem globalmente, especialmente em populações com baixas taxas de cobertura vacinal. A doença é de notificação compulsória e representa um desafio significativo para a saúde pública devido à sua alta transmissibilidade e potencial para complicações graves. A fisiopatologia envolve a replicação viral no trato respiratório superior e linfonodos regionais, seguida de viremia e disseminação para diversos órgãos, incluindo pele e mucosas. O diagnóstico do sarampo é predominantemente clínico, baseado na tríade clássica de febre alta, tosse, coriza e conjuntivite (os '3 Cs'), que constitui o pródromo. As manchas de Koplik, embora nem sempre presentes, são patognomônicas quando observadas. O exantema maculopapular, que surge após o pródromo, tem uma progressão característica céfalo-caudal, iniciando na face e se espalhando para o resto do corpo. Para o residente, é fundamental saber diferenciar o sarampo de outras doenças exantemáticas comuns na infância, como rubéola, exantema súbito e doença de Kawasaki, considerando a história vacinal e a sequência temporal dos sintomas. A criança do caso clínico, com história de febre, tosse, coriza, conjuntivite e um exantema com progressão céfalo-caudal em um contexto de vacinação incompleta (apenas BCG e Hepatite B), apresenta um quadro altamente sugestivo de sarampo. As complicações do sarampo podem ser graves, incluindo otite média, pneumonia, diarreia e encefalite, ressaltando a importância da vacinação e do diagnóstico precoce.
O pródromo do sarampo, que dura de 2 a 4 dias, é caracterizado por febre alta, mal-estar, tosse seca, coriza (rinite) e conjuntivite. As manchas de Koplik (pequenas manchas brancas com halo eritematoso na mucosa bucal) podem aparecer um ou dois dias antes do exantema e são patognomônicas.
O exantema do sarampo é maculopapular, eritematoso e coalescente. Ele surge tipicamente no quarto dia de doença, começando na linha de implantação dos cabelos, atrás das orelhas e na fronte, e progride rapidamente em sentido céfalo-caudal (face, pescoço, tronco, membros), durando cerca de 5 a 6 dias e desaparecendo na mesma ordem em que surgiu, sem descamação significativa.
Os principais diagnósticos diferenciais do sarampo incluem rubéola (exantema mais discreto, linfadenopatia), exantema súbito (rash surge após a febre ceder), parvovirose B19 (eritema infeccioso), escarlatina, dengue e doença de Kawasaki. A história vacinal e a sequência dos sintomas são cruciais para a diferenciação.
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