UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2020
São boas práticas em relação aos cuidados ventilatórios iniciais de pacientes adultos com SARA grave:
SARA grave → Ventilação protetora: Vt 4-6 mL/kg peso predito + PEEP elevada para FiO₂ necessária.
As boas práticas ventilatórias iniciais na SARA grave visam a ventilação protetora pulmonar, utilizando baixo volume corrente (4-6 mL/kg de peso predito) para minimizar o volutrauma e a biotrauma. A PEEP deve ser ajustada para manter a oxigenação adequada com a menor FiO₂ possível, evitando o atelectrauma e otimizando a complacência pulmonar.
A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SARA) é uma forma grave de insuficiência respiratória aguda, caracterizada por inflamação pulmonar difusa, aumento da permeabilidade capilar e edema pulmonar não cardiogênico, levando à hipoxemia refratária. É uma condição com alta morbimortalidade em unidades de terapia intensiva, e o manejo ventilatório adequado é um pilar fundamental do tratamento, sendo um tema recorrente em provas de residência. A fisiopatologia da SARA envolve uma resposta inflamatória descontrolada que danifica a barreira alvéolo-capilar, resultando em acúmulo de líquido e proteínas nos alvéolos, colapso alveolar e perda de surfactante. O diagnóstico é clínico e radiológico, com base nos critérios de Berlim. A ventilação mecânica é essencial, mas pode agravar a lesão pulmonar se não for protetora. As boas práticas de ventilação mecânica na SARA grave incluem a estratégia de ventilação protetora pulmonar, que consiste em utilizar baixo volume corrente (4-6 mL/kg de peso predito, não o peso real) para evitar o volutrauma e o barotrauma. Além disso, a aplicação de PEEP (Pressão Expiratória Final Positiva) elevada é fundamental para manter os alvéolos abertos, melhorar a oxigenação e reduzir a FiO2 necessária, minimizando o atelectrauma. Outras estratégias como a posição prona e, em casos refratários, a ECMO, podem ser consideradas.
O volume corrente baixo (4-6 mL/kg de peso predito) é crucial para evitar o volutrauma e o barotrauma, que são lesões pulmonares induzidas pela ventilação, minimizando a inflamação e melhorando o prognóstico na SARA.
A PEEP deve ser ajustada para manter a oxigenação adequada (PaO2 > 55-60 mmHg ou SatO2 > 88-90%) com a menor FiO2 possível, geralmente utilizando tabelas de PEEP/FiO2 ou titulação individualizada para evitar o colapso alveolar e otimizar a complacência.
Os objetivos da ventilação protetora são minimizar a lesão pulmonar induzida pela ventilação (VILI), reduzir a resposta inflamatória sistêmica, melhorar a oxigenação e a complacência pulmonar, e, em última instância, diminuir a mortalidade e a morbidade associadas à SARA.
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