Sangramento de Varizes Esofágicas: Manejo Agudo e Terapia

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, de 40 anos de idade, procura o pronto atendimento por episódio de hematêmese há uma hora. Relata ingestão de 200mL de destilado diariamente há 20 anos. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, descorado 1+/4+, com frequência cardíaca de 98bpm, pressão arterial de 96x68mmHg e tempo de enchimento capilar inferior a 3 segundos. Apresenta escala de coma de Glasgow 15. O abdome está ascítico, flácido, indolor, sem sinais de irritação peritoneal. O toque retal está normal. Os exames laboratoriais demonstraram Hb de 9,0g/dL, sem demais alterações. Realizou uma endoscopia digestiva alta, com as únicas alterações mostradas a seguir: Quais são os tratamentos endoscópico e medicamentoso indicados para o controle do sangramento desse paciente neste momento?

Alternativas

  1. A) Cianoacrilato e omeprazol.
  2. B) Balão de Sangstaken-Blakemore e octreotide.
  3. C) Ligadura elástica e terlipressina.
  4. D) Coagulação com argônio e sucralfato.

Pérola Clínica

Sangramento varizes esofágicas → ligadura elástica + terlipressina (ou octreotide) + ATB profilático.

Resumo-Chave

Em pacientes com cirrose e sangramento agudo por varizes esofágicas, a ligadura elástica endoscópica é a terapia de escolha para o controle do sangramento. A terlipressina, um vasoconstritor esplâncnico, é usada para reduzir a pressão portal e complementar o tratamento endoscópico, melhorando a hemostasia e a sobrevida.

Contexto Educacional

O sangramento por varizes esofágicas é uma das complicações mais graves da hipertensão portal, frequentemente associada à cirrose hepática, como no caso de etilismo crônico. Representa uma emergência médica com alta morbimortalidade, exigindo reconhecimento rápido e manejo agressivo. A presença de ascite e histórico de etilismo no paciente reforçam a suspeita de doença hepática avançada e hipertensão portal. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão no sistema porta, levando à formação de vasos colaterais (varizes) no esôfago e estômago. Quando essas varizes se rompem, ocorre sangramento maciço. O diagnóstico é confirmado por endoscopia digestiva alta. A avaliação da estabilidade hemodinâmica é crucial, e a ressuscitação volêmica deve ser iniciada prontamente, com cautela para evitar sobrecarga. O tratamento é multifacetado, combinando medidas farmacológicas e endoscópicas. A terlipressina (ou octreotide) é administrada para reduzir a pressão portal, enquanto a ligadura elástica endoscópica é o método de escolha para o controle direto do sangramento. A profilaxia antibiótica é essencial para prevenir infecções bacterianas, que são comuns e pioram o prognóstico em pacientes cirróticos com sangramento. O balão de Sengstaken-Blakemore é uma medida de resgate temporária para sangramentos refratários.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento inicial do sangramento agudo por varizes esofágicas?

Os pilares incluem ressuscitação volêmica, proteção de via aérea se necessário, terapia farmacológica vasoconstritora (terlipressina ou octreotide), terapia endoscópica (ligadura elástica) e profilaxia antibiótica.

Por que a ligadura elástica é preferida em relação à escleroterapia para varizes esofágicas sangrantes?

A ligadura elástica é geralmente preferida por ser mais eficaz na erradicação das varizes, ter menor taxa de complicações (como úlceras e estenoses) e menor risco de ressangramento em comparação com a escleroterapia.

Qual o papel da terlipressina no manejo do sangramento de varizes esofágicas?

A terlipressina é um análogo da vasopressina que causa vasoconstrição esplâncnica, reduzindo o fluxo sanguíneo para o sistema portal e, consequentemente, a pressão nas varizes esofágicas, auxiliando no controle do sangramento e melhorando a sobrevida.

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