Varizes Esofágicas: Betabloqueadores e Contraindicações

HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2020

Enunciado

O sangramento digestivo alto por varizes esofágicas (VE) configura uma das complicações mais temidas da hipertensão portal como consequência da cirrose hepática. Entre as alternativas marque a que NÃO se enquadra neste contexto.

Alternativas

  1. A) A chance de ressangramento no paciente cirrótico pode alcançar números da ordem de 70%, com mortalidade semelhante a do primeiro episódio.
  2. B) Betabloqueadores não seletivos podem ser utilizados de forma profilática em portadores de VE de alto risco para sangramento (médio ou grosso calibre ou finas com pontos vermelhos recentes e/ou Child B ou C) reduzindo a chance do primeiro episódio.
  3. C) O uso de betabloqueadores não seletivos é bem consagrado na profilaxia secundária do sangramento por VE associado à ligadura elástica e tem grande indicação principalmente nos portadores de asma e DPOC.
  4. D) Pacientes com ascite volumosa ou refratária ou história de peritonite bacteriana espontânea, segundo dados recentes na literatura, podem evoluir com piora do débito cardíaco quando associado o uso de betabloqueadores não seletivos em altas doses, podendo desencadear síndrome hepatorrenal.

Pérola Clínica

Betabloqueadores não seletivos são CONTRAINDICADOS em asma/DPOC e devem ser usados com cautela em cirróticos com ascite refratária.

Resumo-Chave

Betabloqueadores não seletivos são eficazes na profilaxia de sangramento por varizes esofágicas, mas possuem contraindicações importantes. Pacientes com asma ou DPOC têm contraindicação absoluta devido ao risco de broncoespasmo. Além disso, em cirróticos com ascite volumosa ou refratária, seu uso em altas doses pode piorar o débito cardíaco e precipitar síndrome hepatorrenal.

Contexto Educacional

O sangramento por varizes esofágicas (VE) é uma das complicações mais graves da hipertensão portal, frequentemente decorrente da cirrose hepática, e está associado a alta morbimortalidade. A profilaxia do primeiro sangramento (profilaxia primária) e do ressangramento (profilaxia secundária) é fundamental para melhorar o prognóstico desses pacientes. Os betabloqueadores não seletivos (BBNS), como propranolol e carvedilol, são a pedra angular da profilaxia farmacológica, atuando na redução do fluxo sanguíneo portal e da pressão nas varizes. Os BBNS são indicados na profilaxia primária para pacientes com VE de médio ou grosso calibre, ou varizes finas com alto risco (presença de pontos vermelhos ou Child-Pugh B/C). Na profilaxia secundária, são utilizados em combinação com a ligadura elástica endoscópica para reduzir significativamente a taxa de ressangramento. No entanto, é crucial estar ciente das contraindicações e efeitos adversos. Pacientes com doenças respiratórias obstrutivas, como asma e DPOC, têm contraindicação formal devido ao risco de broncoespasmo. Além disso, em pacientes com cirrose avançada e descompensada, particularmente aqueles com ascite volumosa ou refratária, o uso de BBNS deve ser reavaliado. Dados recentes sugerem que, nesses casos, altas doses de BBNS podem levar a uma piora do débito cardíaco e da perfusão renal, precipitando a síndrome hepatorrenal, uma complicação com alta mortalidade. Portanto, a seleção e a titulação dos BBNS devem ser individualizadas, considerando o balanço entre o benefício na prevenção do sangramento e o risco de efeitos adversos em pacientes com doença hepática avançada.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais contraindicações para o uso de betabloqueadores não seletivos em cirróticos?

As principais contraindicações para betabloqueadores não seletivos incluem asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) grave, bradicardia sintomática, bloqueio atrioventricular de alto grau e hipotensão arterial. Em cirróticos descompensados com ascite refratária, o uso em altas doses deve ser cauteloso.

Qual o papel dos betabloqueadores na profilaxia primária e secundária do sangramento por VE?

Os betabloqueadores não seletivos são indicados na profilaxia primária para pacientes com varizes esofágicas de médio/grosso calibre ou finas com alto risco (Child B/C ou pontos vermelhos). Na profilaxia secundária, são usados em combinação com a ligadura elástica para reduzir o risco de ressangramento após um primeiro episódio.

Como os betabloqueadores podem afetar pacientes cirróticos com ascite volumosa?

Em pacientes cirróticos com ascite volumosa ou refratária, o uso de betabloqueadores não seletivos em altas doses pode levar à redução excessiva do débito cardíaco e da perfusão renal, aumentando o risco de desenvolver síndrome hepatorrenal, uma complicação grave da cirrose.

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