Sangramento de Varizes Esofágicas: Prognóstico e Risco

Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2024

Enunciado

O sangramento das varizes esofagogástricas é a complicação da hipertensão portal mais ameaçadora à vida, sendo responsável por aproximadamente um terço de todos os óbitos de pacientes com cirrose. Sobre o tema, assinale a correta.

Alternativas

  1. A) Os pacientes com obstrução venosa portal extra‐hepática e função hepática normal tem pior prognóstico quando comparados aos pacientes com cirrose já instalada.
  2. B) Os pacientes com cirrose descompensada (Child-Pugh C) têm maior chance de óbito quando comparados aos pacientes sem cirrose instalada.
  3. C) Tratamentos cirúrgicos são geralmente de primeira linha, uma vez que estes pacientes têm risco elevado para endoscopia digestiva alta em decorrência da função hepática descompensada.
  4. D) A ligadura elástica é a única opção disponível para o controle de hemorragia varicosa aguda.

Pérola Clínica

Sangramento de varizes esofágicas + Child-Pugh C → Maior risco de óbito.

Resumo-Chave

A gravidade da doença hepática subjacente, avaliada pela classificação de Child-Pugh, é o principal determinante do prognóstico em pacientes com sangramento de varizes esofágicas. Pacientes com cirrose descompensada (Child-Pugh C) apresentam maior mortalidade devido à menor reserva funcional hepática e maior risco de complicações.

Contexto Educacional

O sangramento de varizes esofagogástricas é uma emergência médica grave, responsável por alta morbimortalidade em pacientes com hipertensão portal, especialmente aqueles com cirrose. A compreensão dos fatores prognósticos é crucial para o manejo adequado e a estratificação de risco desses pacientes. A classificação de Child-Pugh, que avalia parâmetros como bilirrubina, albumina, INR, ascite e encefalopatia, é uma ferramenta fundamental para determinar a gravidade da disfunção hepática e, consequentemente, o prognóstico. Pacientes Child-Pugh C têm uma reserva hepática muito limitada, o que os torna mais vulneráveis a complicações e com maior risco de óbito. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão no sistema porta, levando à formação de varizes como vias colaterais. O rompimento dessas varizes causa hemorragia maciça. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta. A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica, uso de drogas vasoativas (terlipressina, octreotide) e profilaxia de infecção bacteriana. A endoscopia terapêutica, geralmente com ligadura elástica, é o tratamento de escolha para o controle da hemorragia aguda. O prognóstico está diretamente relacionado à gravidade da doença hepática. Pacientes com obstrução venosa portal extra-hepática, mas com função hepática preservada, geralmente apresentam um curso mais benigno do que aqueles com cirrose descompensada. O tratamento cirúrgico, como o shunt portossistêmico, é reservado para casos selecionados e não é a primeira linha devido aos riscos associados à disfunção hepática e à complexidade do procedimento. A profilaxia secundária com beta-bloqueadores não seletivos e ligadura elástica é essencial para prevenir ressangramentos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores prognósticos no sangramento de varizes esofágicas?

Os principais fatores prognósticos incluem a gravidade da doença hepática subjacente (Child-Pugh, MELD), a presença de sangramento ativo no momento da endoscopia e a ocorrência de ressangramento precoce.

Por que a classificação Child-Pugh é importante na hipertensão portal?

A classificação Child-Pugh avalia a função hepática residual e é um preditor robusto de mortalidade e morbidade em pacientes com cirrose, incluindo o risco de sangramento e óbito por varizes.

Qual a diferença de prognóstico entre obstrução portal extra-hepática e cirrose?

Pacientes com obstrução venosa portal extra-hepática e função hepática normal geralmente têm melhor prognóstico a longo prazo do que aqueles com cirrose instalada, pois a função hepática é o principal determinante da sobrevida.

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