SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2020
Paciente com cirrose hepática de etiologia alcoólica dá entrada na emergência com sangramento por varizes de esôfago. Enquanto aguarda a endoscopia e realiza reposição volêmica, a fim de tentar diminuir a hemorragia, deve-se fazer uso de:
Sangramento agudo por varizes esofágicas → Octreotide (vasoconstrição esplâncnica) + reposição volêmica.
No sangramento agudo por varizes esofágicas, a terapia farmacológica com vasoconstritores esplâncnicos, como o octreotide, é crucial para reduzir o fluxo sanguíneo portal e a pressão nas varizes, diminuindo a hemorragia enquanto se aguarda a endoscopia e outras intervenções.
O sangramento por varizes esofágicas é uma complicação grave da hipertensão portal, frequentemente associada à cirrose hepática, e representa uma emergência médica com alta mortalidade. O manejo rápido e eficaz é crucial para a sobrevida do paciente, sendo um tópico de grande relevância em provas de residência e na prática clínica. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão na veia porta, que leva à formação de varizes em locais de anastomose portossistêmica, como o esôfago. A ruptura dessas varizes causa hemorragia digestiva alta maciça. O diagnóstico é confirmado por endoscopia digestiva alta, que também permite o tratamento endoscópico (ligadura elástica ou escleroterapia). Além da reposição volêmica para estabilização hemodinâmica, a terapia farmacológica com vasoconstritores esplâncnicos (octreotide, terlipressina) deve ser iniciada imediatamente, mesmo antes da endoscopia, para reduzir o fluxo sanguíneo portal e a pressão nas varizes. A profilaxia antibiótica também é fundamental para prevenir infecções bacterianas, que são comuns e aumentam a mortalidade. Após o controle do sangramento agudo, a profilaxia secundária com betabloqueadores não seletivos e ligadura elástica é indicada para prevenir novas hemorragias.
A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica com reposição volêmica, proteção de via aérea se necessário, e início precoce de terapia farmacológica com vasoconstritores esplâncnicos (como octreotide ou terlipressina) e antibióticos profiláticos. A endoscopia digestiva alta deve ser realizada o mais breve possível.
O octreotide é um análogo da somatostatina que atua causando vasoconstrição seletiva na circulação esplâncnica. Isso reduz o fluxo sanguíneo portal e, consequentemente, a pressão nas varizes esofágicas, ajudando a controlar o sangramento.
O propranolol é um betabloqueador não seletivo usado na profilaxia primária e secundária do sangramento de varizes, pois reduz a pressão portal cronicamente. No entanto, não é indicado para o tratamento do sangramento agudo devido ao seu início de ação lento e potencial para piorar a instabilidade hemodinâmica em pacientes com hemorragia ativa.
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