AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020
Paciente masculino de 40 anos, chega ao pronto atendimento com queixa de melena e hematêmese iniciados hoje. Relata ser etilista crônico, com ingesta de um litro de destilado ao dia há 20 anos. Apresenta-se normocárdico e hipotenso. Em relação a este caso clínico, analise as assertivas abaixo e classifique-as em verdadeira ou falso. ( ) No sangramento agudo, a estimativa da reserva funcional hepática e as complicações associadas não interferem no tratamento. ( ) O tratamento endoscópico de eleição é a escleroterapia e isoladamente produz melhores resultados que a terapia farmacológica. ( ) Este paciente se beneficiaria com um série empírica de antibiótico de largo espectro por diminuir o risco de ressangramento. ( ) A diminuição da pressão portal se faz as custas de terapia farmacológica com drogas imunossupressoras. ( ) O tratamento deste paciente deve ser focado no controle da hipertensão portal e nas suas complicações.
Sangramento digestivo alto em etilista crônico + hipotensão → Suspeitar de varizes esofágicas; profilaxia ATB reduz ressangramento.
Pacientes etilistas crônicos com sangramento digestivo alto (hematêmese e melena) e hipotensão devem ser avaliados para varizes esofágicas. A profilaxia antibiótica de amplo espectro é crucial, pois reduz o risco de infecções e ressangramento, melhorando a sobrevida.
O sangramento por varizes esofágicas é uma complicação grave da hipertensão portal, frequentemente associada à cirrose hepática, como a causada pelo etilismo crônico. Representa uma emergência médica com alta taxa de mortalidade se não for prontamente manejado. A apresentação clínica típica inclui hematêmese e/ou melena, com sinais de hipovolemia. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão no sistema porta, levando à formação de varizes no esôfago e estômago, que se rompem sob alta pressão. A avaliação da reserva funcional hepática (ex: Child-Pugh, MELD) é crucial para o prognóstico e para guiar o tratamento, pois pacientes com disfunção hepática mais grave têm pior prognóstico. O tratamento endoscópico de eleição para o sangramento agudo é a ligadura elástica, que é mais eficaz e segura que a escleroterapia. A profilaxia antibiótica de largo espectro (ex: ceftriaxona ou norfloxacino) é uma medida essencial em todos os pacientes com sangramento por varizes esofágicas, pois reduz significativamente o risco de infecções bacterianas (como peritonite bacteriana espontânea), ressangramento e mortalidade. A diminuição da pressão portal é obtida com drogas vasoativas (terlipressina, octreotide) e, a longo prazo, com betabloqueadores não seletivos, não com imunossupressores. O manejo deve ser focado no controle da hipertensão portal e suas complicações.
A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica com fluidos e transfusão, proteção de via aérea, uso de drogas vasoativas (terlipressina, octreotide) para reduzir pressão portal e profilaxia antibiótica de amplo espectro.
A profilaxia antibiótica é fundamental porque pacientes com cirrose e sangramento varicoso têm alto risco de infecções bacterianas, que podem precipitar encefalopatia hepática, insuficiência renal e aumentar o risco de ressangramento e mortalidade.
A ligadura elástica endoscópica é o tratamento endoscópico de eleição para o sangramento agudo e profilaxia secundária de varizes esofágicas, sendo superior à escleroterapia em termos de eficácia e menor taxa de complicações.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo