Sangramento Vaginal na Gestação: Conduta Diagnóstica Inicial

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020

Enunciado

Gestante de 33 anos, G4P3A0C2, e idade gestacional de 27 semanas e 4 dias, apresenta sangramento vaginal há 1 hora. Nega outras queixas. Exame físico: PA 120x70 mmHg, FC 88 bpm, altura uterina 25 cm, tônus uterino normal, dinâmica uterina negativa, situação transversa, BCF 144 bpm. Exame especular: presença de pequena quantidade de sangue se exteriorizando pelo orifício cervical externo. A conduta é:

Alternativas

  1. A) solicitar ultrassonografia.
  2. B) realizar toque vaginal.
  3. C) solicitar ressonância magnética.
  4. D) realizar toque e solicitar ultrassonografia.

Pérola Clínica

Sangramento vaginal no 2º/3º trimestre: sempre iniciar com ultrassonografia para excluir placenta prévia antes do toque vaginal.

Resumo-Chave

Em gestantes com sangramento vaginal no segundo ou terceiro trimestre, a prioridade é excluir placenta prévia, uma condição em que a placenta recobre o orifício cervical. O toque vaginal é contraindicado antes da localização placentária por ultrassonografia, pois pode desencadear hemorragia maciça se houver placenta prévia.

Contexto Educacional

O sangramento vaginal no segundo e terceiro trimestres da gestação é uma emergência obstétrica que exige avaliação imediata e cuidadosa. As causas mais comuns e graves incluem placenta prévia e descolamento prematuro de placenta, ambas com potencial de morbimortalidade materna e fetal significativa. A incidência varia, mas a identificação precoce é crucial para um manejo adequado. A fisiopatologia do sangramento pode envolver a separação da placenta do útero (descolamento) ou a implantação anômala da placenta sobre o colo (placenta prévia). O diagnóstico diferencial é amplo, mas a história clínica (dor, tipo de sangramento) e o exame físico (tônus uterino, dinâmica) fornecem pistas. No entanto, a ultrassonografia é o método diagnóstico de escolha para localizar a placenta e excluir placenta prévia antes de qualquer manipulação cervical. A conduta inicial em caso de sangramento vaginal no final da gestação deve sempre começar com a estabilização hemodinâmica da mãe e a avaliação fetal. A ultrassonografia transabdominal e, se necessário, transvaginal, é imperativa para determinar a localização placentária. O toque vaginal é estritamente contraindicado até que a placenta prévia seja descartada, devido ao risco de hemorragia. Uma vez excluída a placenta prévia, outras causas podem ser investigadas, e o manejo será direcionado à etiologia específica.

Perguntas Frequentes

Qual a principal preocupação ao avaliar sangramento vaginal no segundo ou terceiro trimestre da gestação?

A principal preocupação é descartar placenta prévia, uma condição onde a placenta está implantada total ou parcialmente sobre o orifício interno do colo uterino. O sangramento é tipicamente indolor, vermelho vivo e pode ser intermitente.

Por que o toque vaginal é contraindicado inicialmente em casos de sangramento gestacional?

O toque vaginal é contraindicado antes da ultrassonografia para evitar o risco de perfurar a placenta ou vasos sanguíneos em caso de placenta prévia, o que poderia precipitar uma hemorragia maciça e potencialmente fatal para a mãe e o feto.

Quais são os diagnósticos diferenciais de sangramento no final da gestação?

Os principais diagnósticos diferenciais incluem placenta prévia, descolamento prematuro de placenta, vasa prévia, rotura uterina, lesões cervicais ou vaginais (pólipos, ectopia, infecções) e sangramento de causa desconhecida.

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