Sangramento Vaginal no 3º Trimestre: Conduta Essencial

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019

Enunciado

Tercigesta, com duas cesáreas prévias, procura o pronto-atendimento da maternidade na 35ª semana referindo sangramento vaginal há uma hora. Exame físico: BEG, PA 122 x 80 mmHg, FC 75 bpm, altura uterina de 34 cm, apresentação córmica, batimentos cardíacos fetais de 144 bpm. Dinâmica uterina: duas contrações inefetivas. Exame especular: pequena quantidade de sangue coletado em fundo de saco vaginal. A conduta imediata é

Alternativas

  1. A) toque vaginal e ultrassom.
  2. B) ultrassom e inibição do trabalho de parto.
  3. C) toque vaginal e inibição do trabalho de parto.
  4. D) ultrassom e conduta expectante.

Pérola Clínica

Sangramento 3º trimestre + cesáreas prévias → suspeitar placenta prévia/acretismo; NÃO toque vaginal antes de USG.

Resumo-Chave

Em gestantes com sangramento vaginal no terceiro trimestre, especialmente com histórico de cesáreas prévias, a principal preocupação é a placenta prévia ou acretismo. O toque vaginal é contraindicado antes da exclusão dessas condições por ultrassonografia, pois pode agravar o sangramento. A conduta inicial é estabilização materna, avaliação fetal e ultrassom para localização placentária.

Contexto Educacional

O sangramento vaginal no terceiro trimestre de gestação é uma emergência obstétrica que exige avaliação imediata e cuidadosa, pois pode indicar condições graves que ameaçam a vida materna e fetal. As causas mais comuns incluem placenta prévia, descolamento prematuro de placenta e vasa prévia. A história de cesáreas prévias aumenta significativamente o risco de placenta prévia e, consequentemente, de acretismo placentário, uma condição em que a placenta se adere anormalmente à parede uterina. A fisiopatologia varia conforme a causa. Na placenta prévia, a placenta se insere total ou parcialmente no segmento inferior do útero, cobrindo ou estando próxima ao orifício cervical interno, resultando em sangramento indolor. O acretismo placentário, frequentemente associado à placenta prévia e cesáreas anteriores, envolve a invasão do miométrio pela placenta. O diagnóstico diferencial é crucial e deve ser feito rapidamente para guiar a conduta. A conduta inicial para sangramento vaginal no terceiro trimestre sempre envolve a estabilização hemodinâmica da mãe, avaliação da vitalidade fetal e, crucialmente, a realização de ultrassonografia para determinar a localização placentária antes de qualquer exame de toque vaginal. O toque é estritamente contraindicado até que se exclua placenta prévia ou vasa prévia, para evitar hemorragia maciça. Se a mãe e o feto estiverem estáveis e a causa não for uma emergência aguda (como descolamento grave), a conduta pode ser expectante com monitoramento rigoroso.

Perguntas Frequentes

Quais as principais causas de sangramento vaginal no terceiro trimestre?

As principais causas incluem placenta prévia, descolamento prematuro de placenta, vasa prévia, ruptura uterina e sangramento de colo uterino.

Por que o toque vaginal é contraindicado no sangramento do terceiro trimestre?

O toque vaginal é contraindicado antes da localização placentária por ultrassom, pois pode perfurar a placenta prévia ou vasa prévia, causando hemorragia grave e risco de vida para mãe e feto.

Qual o papel do ultrassom na avaliação do sangramento vaginal na gravidez?

O ultrassom é fundamental para determinar a localização da placenta, identificar placenta prévia, avaliar a presença de acretismo e verificar a vitalidade fetal, sendo o primeiro passo diagnóstico e de manejo.

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