UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2023
RSS, 74 anos, menopausada desde os 45 anos, sem TH ( Terapia hormonal), procura UBS com queixa de sangramento vaginal em pequena quantidade um episódio, secreção serosanguinea, sem cólicas, sem dores, negando atividade sexual no período. Solicitados exames, apresenta ultrassonografia transvaginal com útero vol. 48 cm³, endométrio de 20 mm, ovários não visualizados. Diante do quadro, a conduta adequada será:
Sangramento uterino pós-menopausa + endométrio espessado (>4-5mm) → Histeroscopia diagnóstica com biópsia.
Qualquer episódio de sangramento vaginal em uma mulher pós-menopausa deve ser investigado para excluir câncer de endométrio, mesmo que seja um episódio único e de pequena quantidade. Um endométrio de 20 mm é significativamente espessado para a pós-menopausa, reforçando a necessidade de histeroscopia diagnóstica com biópsia para avaliação histopatológica.
O sangramento uterino pós-menopausa (SUPM) é definido como qualquer sangramento vaginal que ocorre 12 meses ou mais após a última menstruação. É um sintoma que nunca deve ser ignorado, pois é o principal sinal de câncer de endométrio, que é o câncer ginecológico mais comum em países desenvolvidos. A prevalência de malignidade em casos de SUPM varia de 10% a 15%, tornando a investigação diagnóstica uma prioridade. A avaliação inicial de uma paciente com SUPM inclui uma história clínica detalhada, exame físico e ultrassonografia transvaginal. A ultrassonografia é útil para avaliar a espessura endometrial; um endométrio > 4-5 mm em uma mulher com SUPM é considerado anormal e exige investigação adicional. No caso apresentado, um endométrio de 20 mm é altamente suspeito. A histeroscopia diagnóstica com biópsia endometrial é o padrão-ouro para a investigação do SUPM e para o diagnóstico de câncer de endométrio. Ela permite a visualização direta da cavidade uterina e a coleta de amostras de tecido para análise histopatológica, essencial para confirmar ou excluir a presença de hiperplasia endometrial ou malignidade. Condutas como a expectante ou histerectomia total sem diagnóstico prévio são inadequadas, pois a primeira negligencia o risco e a segunda é excessivamente invasiva sem confirmação diagnóstica.
O sangramento uterino pós-menopausa é um sintoma de alerta crucial, pois é o principal sinal de câncer de endométrio em 90% dos casos. Embora a maioria das causas seja benigna (atrofia endometrial), a malignidade deve ser sempre excluída, tornando a investigação obrigatória.
Na ultrassonografia transvaginal, um endométrio com espessura maior que 4-5 mm em mulheres pós-menopausa com sangramento uterino é considerado anormal e requer investigação adicional, como histeroscopia com biópsia. Em pacientes assintomáticas, o limite pode ser um pouco maior, mas a presença de sangramento muda a conduta.
A histeroscopia diagnóstica permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando lesões focais como pólipos ou miomas, e possibilita a realização de biópsias direcionadas do endométrio. Isso é superior à biópsia cega ou à curetagem, oferecendo maior precisão no diagnóstico de hiperplasia ou câncer endometrial.
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