MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 62 anos, nulípara, hipertensa e com IMC de 34,2 kg/m², comparece à consulta ginecológica queixando-se de sangramento vaginal em pequena quantidade, tipo 'borra de café', que ocorre de forma intermitente há cerca de 3 semanas. Ela refere que sua menopausa ocorreu aos 51 anos e nunca realizou terapia hormonal. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, com abdome globoso e indolor à palpação. O exame especular revela paredes vaginais com pregueamento reduzido e palidez, colo uterino atrófico sem lesões macroscópicas e presença de pequena quantidade de conteúdo hemático escuro no fundo de saco posterior. O toque bimanual não evidencia massas anexiais, e o útero possui volume compatível com a senescência. Analise os resultados do hemograma apresentado na imagem e, considerando os fatores de risco da paciente, assinale a conduta inicial mais adequada.
Sangramento pós-menopausa → USTV (ponto de corte: 4-5mm) para triagem endometrial.
Todo sangramento vaginal após a menopausa deve ser investigado. A USTV é o primeiro passo para avaliar a espessura endometrial e decidir sobre biópsia.
O sangramento na pós-menopausa é um sinal de alerta clínico importante, pois cerca de 10% das mulheres com esse sintoma apresentam câncer de endométrio. Embora a causa mais comum seja a atrofia endometrial ou vaginal (como sugerido pelo exame físico desta paciente), a exclusão de malignidade é a prioridade absoluta na propedêutica. O algoritmo diagnóstico inicia-se com a ultrassonografia transvaginal (USTV). A obesidade e a nuliparidade criam um ambiente de estrogênio sem oposição pela progesterona, o que estimula a proliferação endometrial. Se a USTV mostrar um endométrio > 4 mm, o próximo passo é a avaliação histológica. A conduta de solicitar a USTV antes de procedimentos invasivos como a histeroscopia ou curetagem é baseada na excelente capacidade de triagem do método e no seu perfil não invasivo.
Em pacientes com sangramento na pós-menopausa que não utilizam terapia hormonal, o ponto de corte internacionalmente aceito para a espessura endometrial na ultrassonografia transvaginal (USTV) é de 4 mm. Um endométrio com espessura menor ou igual a 4 mm possui um valor preditivo negativo superior a 99% para câncer de endométrio. Isso significa que, se o endométrio estiver fino e regular, a probabilidade de malignidade é extremamente baixa, permitindo uma conduta inicial conservadora. No entanto, se o sangramento persistir mesmo com endométrio fino, a investigação histológica deve ser considerada para excluir lesões focais.
A paciente apresenta múltiplos fatores de risco clássicos para o adenocarcinoma de endométrio, que é uma neoplasia frequentemente associada ao hiperestrogenismo relativo. A obesidade (IMC 34,2) é um dos principais, pois o tecido adiposo converte androgênios em estrona via aromatase. A nuliparidade também aumenta o risco, pois a paciente não teve os períodos de 'proteção' da progesterona durante a gestação. Além disso, a idade avançada e a hipertensão arterial são comorbidades frequentemente associadas. Esse perfil clínico torna a investigação endometrial obrigatória e urgente diante de qualquer sangramento vaginal.
A investigação histológica (biópsia dirigida por histeroscopia ou curetagem) está indicada em três situações principais no sangramento pós-menopausa: 1) Quando a espessura endometrial na USTV é superior a 4-5 mm; 2) Quando o endométrio não pode ser adequadamente visualizado ao ultrassom; 3) Quando o sangramento é persistente ou recorrente, mesmo com espessura endometrial normal. A histeroscopia com biópsia dirigida é superior à curetagem às cegas, pois permite a visualização direta da cavidade uterina e a identificação de lesões focais, como pólipos ou áreas de hiperplasia, aumentando a acurácia diagnóstica.
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