INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2022
Uma senhora de 67 anos, obesa, diabética, hipertensa e menopausada desde os 50 anos refere que há 15 dias iniciou sangramento uterino de moderada quantidade. Ultrassonografia pélvica evidenciou um endométrio medindo 11 mm. A melhor conduta subsequente para o diagnóstico é:
Sangramento pós-menopausa + endométrio > 4-5mm → investigar câncer endometrial com histeroscopia e biópsia.
Sangramento uterino pós-menopausa é um sinal de alerta para câncer de endométrio, especialmente em pacientes com fatores de risco como obesidade, diabetes e hipertensão. Um endométrio de 11mm é significativamente espessado e requer investigação invasiva.
O sangramento uterino pós-menopausa (SUPM) é um sintoma que nunca deve ser ignorado, pois é o principal sinal de alerta para o câncer de endométrio. Embora a maioria dos casos de SUPM seja benigna, aproximadamente 10-15% das mulheres com este sintoma terão câncer endometrial. A paciente do caso apresenta múltiplos fatores de risco para câncer de endométrio, como obesidade, diabetes e hipertensão, além de uma espessura endometrial de 11 mm, que é patológica para a faixa etária pós-menopausa. A fisiopatologia do câncer de endométrio está frequentemente ligada à exposição estrogênica não oposta, que leva à proliferação endometrial excessiva. Fatores como obesidade (conversão periférica de androgênios em estrogênios), diabetes e hipertensão aumentam esse risco. O diagnóstico diferencial inclui atrofia endometrial (causa mais comum de SUPM), pólipos endometriais, hiperplasia endometrial e câncer. A conduta diagnóstica padrão-ouro para SUPM com endométrio espessado é a histeroscopia com biópsia endometrial. A ultrassonografia pélvica é uma ferramenta de triagem inicial, mas não diagnóstica definitiva. A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina e a biópsia dirigida de qualquer área suspeita, garantindo um diagnóstico histopatológico preciso. A aspiração manual intrauterina (AMIU) ou curetagem uterina cega são menos precisas que a histeroscopia com biópsia, pois podem perder lesões focais. A histerectomia + anexectomia é um tratamento, não uma conduta diagnóstica inicial.
Na pós-menopausa, um endométrio com espessura maior que 4-5 mm, especialmente na presença de sangramento, é um forte indicativo de patologia endometrial, incluindo hiperplasia ou câncer, e requer investigação.
A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando lesões focais, e a biópsia dirigida oferece material adequado para o diagnóstico histopatológico preciso, sendo superior a métodos cegos.
Os principais fatores de risco incluem obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade, uso de tamoxifeno e síndrome dos ovários policísticos, todos relacionados à exposição estrogênica prolongada.
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