Sangramento Pós-Menopausa: Investigação e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 51 anos, de menopausa há 3 anos, com queixa de sangramento uterino recorrente, em pequena quantidade, há 3 meses. Na maioria das vezes, os episódios de sangramento iniciam durante ou após as relações sexuais. A paciente é diabética e faz uso de insulina. Traz dois resultados normais de exames citopatológicos do colo uterino realizados nos últimos 2 anos, sendo o último há 9 meses. Exame físico: estado geral bom, hemodinamicamente estável, normocorada. Ao exame especular, visualiza-se lesão de aspecto polipoide de aproximadamente 2 cm se exteriorizando pelo orifício externo do colo uterino, não sendo possível visualizar a lesão em toda sua extensão. A conduta indicada é

Alternativas

  1. A) solicitar histeroscopia diagnóstica.
  2. B) realizar exérese imediata da lesão com pinça.
  3. C) realizar eletrocauterização da lesão. 
  4. D) iniciar tratamento com solução de ácido tricloroacético.

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa + lesão polipoide cervical = histeroscopia para avaliar endométrio.

Resumo-Chave

O sangramento pós-menopausa, mesmo que em pequena quantidade e associado a uma lesão cervical visível, exige investigação endometrial para excluir patologias malignas, como o câncer de endométrio. A histeroscopia diagnóstica permite a visualização direta e biópsia direcionada.

Contexto Educacional

O sangramento uterino pós-menopausa é um sintoma que sempre deve ser investigado, pois, embora muitas vezes benigno, pode ser o primeiro sinal de câncer de endométrio. A epidemiologia mostra que cerca de 10% a 15% das mulheres com sangramento pós-menopausa terão câncer de endométrio, e essa porcentagem aumenta com a idade e a presença de fatores de risco como diabetes, obesidade e uso de tamoxifeno. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico precoce para um melhor prognóstico. A fisiopatologia do sangramento pós-menopausa pode variar desde a atrofia endometrial ou vaginal, devido à deficiência estrogênica, até lesões proliferativas como pólipos ou hiperplasia, e malignidades como o câncer de endométrio. A suspeita deve ser alta em qualquer mulher pós-menopausa com sangramento, independentemente da quantidade ou frequência. O diagnóstico inicial geralmente envolve ultrassonografia transvaginal para avaliar a espessura endometrial, mas a presença de uma lesão polipoide cervical não exclui a necessidade de avaliação endometrial. A conduta padrão para sangramento pós-menopausa inclui a biópsia endometrial, que pode ser realizada por curetagem ou, preferencialmente, por histeroscopia diagnóstica com biópsia direcionada. A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina e a remoção ou biópsia precisa de qualquer lesão suspeita, oferecendo maior acurácia diagnóstica. O prognóstico depende do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da causa subjacente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de sangramento uterino pós-menopausa?

As causas incluem atrofia endometrial ou vaginal, pólipos endometriais ou cervicais, hiperplasia endometrial e, mais preocupante, câncer de endométrio. Outras causas menos comuns podem ser miomas submucosos ou uso de terapia hormonal.

Por que a histeroscopia é a conduta indicada para sangramento pós-menopausa com pólipo cervical?

Embora um pólipo cervical possa causar sangramento, a histeroscopia é crucial para avaliar a cavidade endometrial, pois o sangramento pós-menopausa é um sinal de alerta para patologias endometriais, incluindo o câncer, que não seriam detectadas apenas pela remoção do pólipo cervical.

Qual a importância da idade e comorbidades como diabetes no sangramento pós-menopausa?

A idade pós-menopausa aumenta o risco de malignidade endometrial. Comorbidades como diabetes mellitus são fatores de risco para hiperplasia e câncer de endométrio, tornando a investigação ainda mais urgente e completa.

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