MedEvo Simulado — Prova 2026
Aparecida, 64 anos, multípara (3 partos normais), apresenta-se ao ambulatório de ginecologia com queixa de um episódio de sangramento vaginal autolimitado, em pequena quantidade, ocorrido há cerca de dez dias. A paciente está na pós-menopausa há 14 anos e possui diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica e obesidade grau I (IMC de 34 kg/m²). Nega uso de terapia de reposição hormonal. Ao exame físico, apresenta genitália externa com sinais de atrofia e exame especular evidenciando colo uterino atrófico, sem lesões visíveis e sem sangramento ativo. O toque vaginal não revelou massas anexiais. Trouxe uma ultrassonografia transvaginal realizada há três dias, que demonstrou útero de volume normal (42 cm³) com eco endometrial de 7 mm, homogêneo, e ovários não visualizados. Foi tentada a realização de biópsia endometrial por aspiração (Pipelle) no consultório, porém o procedimento não foi concluído devido à estenose do canal cervical. O próximo passo mais adequado na avaliação desta paciente é:
Sangramento pós-menopausa + Endométrio > 4-5mm + Falha na biópsia → Histeroscopia.
Em pacientes com sangramento na pós-menopausa e eco endometrial espessado, a falha na biópsia ambulatorial por estenose cervical impõe a investigação por histeroscopia para excluir malignidade.
O sangramento uterino na pós-menopausa é um sinal de alerta clássico para o câncer de endométrio, ocorrendo em cerca de 10% das mulheres com esse sintoma. Fatores de risco como obesidade, hipertensão e nuliparidade aumentam a probabilidade de neoplasia endometrial devido ao estado de hiperestrogenismo relativo. A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial de triagem. Quando o eco endometrial está acima do limite de segurança, a avaliação histológica é mandatória. Embora a biópsia por aspiração (Pipelle) seja eficaz, a estenose cervical é um obstáculo comum. A histeroscopia surge como a ferramenta definitiva, permitindo o diagnóstico diferencial entre atrofia endometrial, pólipos, hiperplasias e carcinoma.
Para pacientes com sangramento vaginal na pós-menopausa, o ponto de corte do eco endometrial na ultrassonografia transvaginal é geralmente de 4 a 5 mm. Valores acima disso apresentam alta sensibilidade para detecção de câncer de endométrio ou hiperplasias, exigindo obrigatoriamente uma avaliação histológica (biópsia).
A falha na biópsia ambulatorial, frequentemente causada por estenose cervical em mulheres idosas, não exclui a patologia. Nesses casos, a paciente deve ser encaminhada para histeroscopia diagnóstica com biópsia dirigida. A histeroscopia permite visualizar a cavidade e realizar a coleta de tecido sob visão direta, superando as limitações da biópsia às cegas.
A histeroscopia é considerada o padrão-ouro porque permite a visualização direta de lesões focais (como pólipos ou áreas suspeitas de malignidade) que poderiam ser perdidas em uma curetagem às cegas. Além disso, a biópsia dirigida por histeroscopia tem maior acurácia diagnóstica e menores taxas de complicações em comparação à curetagem fracionada.
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