Sangramento Pós-Menopausa e Eco Endometrial: Conduta

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 54 anos de idade, menopausada há 3 anos, vem em uso de terapia de reposição hormonal há um ano. Secundigesta e secundípara. Nega cirurgias prévias ou comorbidades. Vem em atendimento ginecológico referindo sangramento via vaginal, de pouca intensidade, há 3 dias.A paciente realizou ultrassonografia transvaginal que evidenciou eco endometrial de 11mm. Identifique a conduta nesse caso:

Alternativas

  1. A) Ressonância Magnética Pélvica.
  2. B) Laparoscopia com biópsia.
  3. C) Histeroscopia diagnóstica com biópsia.
  4. D) Expectante.

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa + Eco endometrial > 4-5mm → Histeroscopia + Biópsia (Padrão-Ouro).

Resumo-Chave

Em mulheres na pós-menopausa com sangramento vaginal e eco endometrial espessado (> 4-5mm), a investigação histopatológica via histeroscopia é mandatória para excluir malignidade.

Contexto Educacional

O sangramento uterino na pós-menopausa é um sinal de alerta clássico na ginecologia, sendo o câncer de endométrio a principal preocupação diagnóstica, ocorrendo em cerca de 10% das pacientes com este sintoma. A ultrassonografia transvaginal atua como um excelente método de triagem (screening), mas a confirmação diagnóstica depende da análise histológica. A histeroscopia com biópsia dirigida oferece a maior sensibilidade e especificidade, permitindo o diagnóstico diferencial entre atrofia endometrial (causa mais comum), pólipos, hiperplasias e neoplasias malignas.

Perguntas Frequentes

Qual o valor de corte do eco endometrial na pós-menopausa?

Para mulheres na pós-menopausa que apresentam sangramento uterino anormal, o ponto de corte aceito na ultrassonografia transvaginal é de 4 a 5 mm. Um eco endometrial menor ou igual a 4 mm possui um alto valor preditivo negativo para câncer de endométrio (cerca de 99%). No entanto, se o eco for superior a 4-5 mm em uma paciente sintomática, ou se houver sangramento persistente mesmo com endométrio fino, a investigação histopatológica é obrigatória.

Por que a histeroscopia é superior à curetagem uterina?

A histeroscopia diagnóstica é considerada o padrão-ouro porque permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando lesões focais como pólipos ou miomas submucosos que poderiam passar despercebidos em métodos cegos. Além disso, permite a realização de biópsia dirigida da área mais suspeita, aumentando significativamente a acurácia diagnóstica em comparação à curetagem uterina ou biópsia por aspiração (Pipelle), que são métodos de amostragem cega.

Como a TRH influencia a avaliação endometrial?

A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) pode causar espessamento endometrial benigno e sangramentos de escape, especialmente nos primeiros meses de uso. Entretanto, em pacientes com sangramento estabelecido e eco endometrial de 11 mm (como no caso clínico), a TRH não deve ser considerada a causa definitiva sem antes excluir hiperplasia ou carcinoma. O manejo deve seguir o protocolo de investigação de sangramento pós-menopausa independentemente do uso de hormônios.

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