São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2025
Qual é a primeira linha de investigação para uma paciente de 48 anos com sangramento uterino anormal persistente, que não responde a tratamentos hormonais?
SUA persistente >45 anos, refratário a hormônios → Biópsia endometrial para excluir malignidade.
Em mulheres perimenopáusicas ou pós-menopáusicas com sangramento uterino anormal persistente, a principal preocupação é a exclusão de malignidade endometrial. A biópsia endometrial é o método mais direto e eficaz para este fim, especialmente quando tratamentos hormonais falham.
O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa comum na ginecologia, e sua investigação deve ser guiada pela idade da paciente e fatores de risco. Em mulheres com mais de 45 anos, especialmente aquelas com sangramento persistente e refratário a tratamentos hormonais, a principal preocupação é a exclusão de malignidade endometrial. O câncer de endométrio é o câncer ginecológico mais comum em países desenvolvidos e sua incidência aumenta com a idade. A fisiopatologia do câncer de endométrio está frequentemente ligada à exposição prolongada e desregulada a estrogênios, levando à hiperplasia endometrial que pode progredir para carcinoma. Por isso, a biópsia endometrial é o método diagnóstico de escolha para obter amostras de tecido para análise histopatológica. Embora a ultrassonografia transvaginal possa avaliar a espessura endometrial, ela não é diagnóstica de malignidade e não substitui a biópsia em casos de alta suspeita. A histeroscopia pode ser complementar para visualização direta e biópsia dirigida, mas a biópsia cega ou por aspiração é frequentemente suficiente como primeira linha. A conduta para SUA em pacientes de risco deve priorizar a exclusão de malignidade. Se a biópsia for negativa para câncer, outras causas de SUA (estruturais ou não estruturais, conforme a classificação PALM-COEIN) podem ser investigadas e tratadas. O tratamento pode variar desde terapia hormonal até procedimentos cirúrgicos, dependendo da causa subjacente. A detecção precoce do câncer de endométrio é crucial para um melhor prognóstico, reforçando a importância da biópsia como primeira linha de investigação nesses cenários.
Fatores de risco incluem idade avançada (>45 anos), obesidade, diabetes, hipertensão, uso de tamoxifeno, síndrome dos ovários policísticos, nuliparidade e história familiar de câncer de endométrio ou colorretal. A exposição prolongada a estrogênio sem oposição de progesterona é um fator chave.
A biópsia endometrial é a primeira linha em mulheres com mais de 45 anos com sangramento uterino anormal persistente, sangramento pós-menopausa, ou em qualquer idade com fatores de risco para câncer de endométrio e falha de tratamento clínico.
A ultrassonografia transvaginal é útil para avaliar a espessura endometrial e identificar lesões estruturais como miomas ou pólipos. No entanto, uma espessura endometrial normal não exclui malignidade, e a biópsia é necessária para diagnóstico definitivo, especialmente em casos de alto risco.
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