HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2025
Uma mulher de 46 anos, não grávida e obesa mórbida apresenta períodos irregulares nos últimos 6 meses. Qual das seguintes opções representa o tratamento inicial mais apropriado neste cenário?
Mulher > 45 anos com sangramento uterino anormal, especialmente com obesidade → biópsia de endométrio é mandatório para excluir malignidade ANTES de iniciar tratamento hormonal.
Em mulheres na perimenopausa (>45 anos) com sangramento uterino anormal e fatores de risco como obesidade, a principal preocupação é descartar hiperplasia endometrial ou carcinoma. A biópsia endometrial é o passo inicial e crucial na investigação antes de se considerar qualquer tratamento hormonal. Iniciar contraceptivos orais (alternativa A) sem essa investigação seria inadequado e arriscado.
O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa comum em mulheres na perimenopausa. Nessa faixa etária, especialmente na presença de fatores de risco como a obesidade, a principal preocupação é a exclusão de patologias endometriais, como hiperplasia com atipias ou carcinoma de endométrio. A obesidade aumenta significativamente este risco devido à conversão periférica de androgênios em estrogênios no tecido adiposo, levando a um estado de hiperestrogenismo relativo crônico e sem oposição da progesterona (típico de ciclos anovulatórios). Diante de uma mulher de 46 anos, obesa e com sangramento irregular, a conduta inicial mais apropriada e segura é a investigação da cavidade endometrial. A biópsia endometrial de consultório (por aspiração, como a biópsia de Pipelle) é o método de escolha para a amostragem do tecido endometrial. É um procedimento minimamente invasivo, de baixo custo e alta acurácia para o diagnóstico de câncer de endométrio. Somente após a exclusão de malignidade ou pré-malignidade, pode-se instituir um tratamento clínico para o controle do sangramento, como o uso de contraceptivos orais combinados ou progestagênios. Iniciar um tratamento hormonal antes da investigação diagnóstica é um erro grave, pois pode mascarar os sintomas e atrasar o diagnóstico de uma condição potencialmente fatal. Portanto, a investigação (biópsia) deve sempre preceder o tratamento.
As indicações incluem qualquer sangramento pós-menopausa, sangramento uterino anormal em mulheres com mais de 45 anos, sangramento persistente em mulheres mais jovens com fatores de risco (obesidade, anovulação crônica como na SOP), ou achado de espessamento endometrial em ultrassonografia.
O tecido adiposo periférico converte androgênios (produzidos nas adrenais) em estrona, uma forma de estrogênio. Em mulheres obesas, essa produção aumentada de estrogênio, sem a oposição da progesterona que ocorre em ciclos anovulatórios, leva a uma estimulação crônica do endométrio, aumentando o risco de hiperplasia e câncer.
Contraceptivos orais combinados são uma excelente opção para o tratamento de sangramento uterino anormal de causa ovulatória (SUA-O) em mulheres jovens, sem fatores de risco para malignidade. Eles regulam o ciclo, reduzem o fluxo e protegem o endométrio. Em mulheres mais velhas, só devem ser usados após a exclusão de patologia endometrial.
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