UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020
Mulher, 40 anos de idade, casada, negra, nuligesta, com desejo reprodutivo, apresenta queixa de sangramento menstrual aumentado há 2 anos. Refere ciclos regulares, fluxo com duração de 10 dias com saída de coágulos, e dismenorreia. Sem comorbidades ou antecedentes cirúrgicos. Exame físico ginecológico: abdome e exame especular sem alterações, toque vaginal evidenciando útero móvel, de superfície bocelada, pouco aumentado de tamanho. Ultrassonografia endovaginal: útero anteversofletido de 120cc, com ecotextura miometrial heterogênea e zona juncional espessada, nódulo intramural de 3,0 cm, eco endometrial de 5,0 mm e anexos sem alterações. Qual é a conduta mais adequada?
Mulher com menorragia/dismenorreia, adenomiose/mioma pequeno e desejo reprodutivo → Iniciar com AINEs para controle sintomático.
Em pacientes com sangramento uterino anormal e dismenorreia, com achados sugestivos de adenomiose e um mioma intramural pequeno, e desejo reprodutivo, a conduta inicial mais adequada é o tratamento sintomático com anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) para controle da dor e do sangramento.
O sangramento uterino anormal (SUA) e a dismenorreia são queixas ginecológicas comuns que podem ser causadas por diversas condições, incluindo miomas uterinos e adenomiose. Miomas são tumores benignos do miométrio, enquanto a adenomiose é a presença de tecido endometrial ectópico dentro do miométrio. Ambos podem coexistir e causar sintomas semelhantes. A ultrassonografia endovaginal é o método de imagem de primeira linha para o diagnóstico, sendo a zona juncional espessada e o miométrio heterogêneo achados sugestivos de adenomiose, e nódulos bem definidos para miomas. Em mulheres com desejo reprodutivo, a abordagem deve ser o mais conservadora possível para preservar a fertilidade. Para sintomas como menorragia e dismenorreia, os anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) são frequentemente a primeira linha de tratamento, pois reduzem a produção de prostaglandinas, aliviando a dor e diminuindo o fluxo menstrual. Se os sintomas não forem controlados ou a gravidez não ocorrer, outras opções como progestagênios, DIU hormonal ou, em casos selecionados, miomectomia (se o mioma for o principal causador dos sintomas e for acessível) podem ser consideradas. A embolização de artérias uterinas geralmente não é recomendada para mulheres que desejam engravidar devido aos potenciais riscos para a fertilidade e gestação.
As opções incluem anti-inflamatórios não hormonais (AINEs), contraceptivos hormonais combinados, progestagênios (orais ou DIU hormonal) e antifibrinolíticos, dependendo da etiologia e do desejo reprodutivo.
A adenomiose pode afetar a fertilidade por alterar a contratilidade uterina, o transporte de gametas, a receptividade endometrial e aumentar a inflamação local, dificultando a implantação e aumentando o risco de aborto.
A miomectomia é indicada para miomas intramurais que causam sintomas significativos (sangramento, dor, compressão) e quando há desejo reprodutivo, especialmente se o mioma for grande ou distorcer a cavidade uterina, após falha do tratamento clínico.
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