UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Adolescente de 14 anos de idade refere um episódio de sangramento vaginal em grande quantidade (uso de 10 absorventes ao dia) com coágulos há cerca de 15 dias. Menarca ocorreu aos 13 anos e 4 meses com ciclos menstruais irregulares e sem dismenorreia. Nega atividade sexual ou qualquer antecedente patológico relevante.Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Sangramento vaginal intenso em adolescente com menarca recente e ciclos irregulares → Sangramento Uterino Anormal (anovulatório).
Em adolescentes com menarca recente e ciclos irregulares, um episódio de sangramento vaginal intenso e prolongado, na ausência de atividade sexual ou outras patologias, é altamente sugestivo de Sangramento Uterino Anormal (SUA) devido a ciclos anovulatórios, uma condição comum na puberdade.
O sangramento vaginal em adolescentes é uma queixa comum na ginecologia pediátrica e do adolescente, e sua investigação requer uma abordagem sistemática. Em meninas com menarca recente (geralmente nos primeiros 2-3 anos pós-menarca) e ciclos menstruais irregulares, a causa mais provável de sangramento uterino anormal (SUA) é a anovulação. Isso ocorre devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, que ainda não estabeleceu um padrão ovulatório regular. Na anovulação, a produção de estrogênio é contínua, mas a progesterona não é produzida de forma cíclica. Isso leva a uma proliferação endometrial excessiva e instável, que eventualmente se desprende de forma irregular e prolongada, resultando em sangramentos intensos e imprevisíveis. É fundamental excluir outras causas de sangramento, como gravidez, distúrbios de coagulação, infecções, trauma e, mais raramente, lesões estruturais como pólipos ou miomas, através de uma história clínica detalhada, exame físico e exames complementares. O manejo do sangramento uterino anovulatório em adolescentes visa primeiramente controlar a hemorragia aguda e corrigir a anemia. Isso pode ser feito com estrogênios em altas doses para estabilizar o endométrio, seguidos por progestagênios para induzir uma descamação controlada, ou com contraceptivos orais combinados. A longo prazo, o objetivo é regular os ciclos e prevenir novos episódios de sangramento excessivo, muitas vezes com o uso contínuo de contraceptivos hormonais até que o eixo hipotálamo-hipófise-ovário amadureça.
A causa mais comum é o Sangramento Uterino Anormal (SUA) devido a ciclos anovulatórios. Na puberdade, o eixo hipotálamo-hipófise-ovário ainda é imaturo, resultando em ovulações irregulares ou ausentes, levando a um endométrio proliferativo que sangra de forma imprevisível e intensa.
É crucial excluir gravidez, infecções sexualmente transmissíveis, distúrbios de coagulação, pólipos ou miomas (raros nessa idade) e doenças sistêmicas. A história clínica detalhada, exame físico e exames laboratoriais (beta-hCG, hemograma, coagulograma) são fundamentais.
O tratamento inicial visa controlar o sangramento e repor o ferro. Pode-se usar estrogênios em altas doses para estabilizar o endométrio, seguidos por progestagênios, ou contraceptivos orais combinados. Em casos de anemia grave, transfusão sanguínea pode ser necessária.
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