HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Paciente de 45 anos, nuligesta, viúva e sem parceiro sexual há 1 ano, queixa-se de aumento do fluxo menstrual há 6 meses. Refere que sempre teve ciclos regulares, com intervalo de 30 dias, e duração do sangramento 4 dias, com quantidade normal e sem dismenorreia. Há 6 meses, a duração aumentou para 7-10 dias, com aumento importante da quantidade nos primeiros 4 dias. Tem hipertensão e diabetes, controlados com antihipertensivo e hipoglicemiante oral. Nega tabagismo. Ao exame físico: IMC = 28 kg/m², PA= 120x80 mmHg, exame especular sem alterações. Toque vaginal: colo fibroelástico, móvel, útero regular, intrapélvico, móvel e em anteversoflexão, anexos não palpáveis. Exame ginecológico indolor. Sem outras alterações ao exame físico. Diante do quadro clínico, assinale a alternativa que indica os exames necessários para o diagnóstico:
Mulher >40a com SUA e fatores de risco → USG transvaginal + histeroscopia para avaliar cavidade uterina.
Em mulheres perimenopausadas ou com fatores de risco para patologia endometrial (como diabetes e hipertensão), a investigação de sangramento uterino anormal deve incluir métodos que avaliem diretamente a cavidade uterina para excluir lesões estruturais ou malignas.
O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa ginecológica comum, especialmente em mulheres na perimenopausa. A paciente do caso, com 45 anos, nuligesta, e com comorbidades como hipertensão e diabetes, apresenta fatores de risco para patologias endometriais, incluindo hiperplasia e câncer de endométrio. A investigação de SUA deve ser sistemática, e a idade da paciente é um fator crucial para direcionar o diagnóstico. A abordagem diagnóstica inicial para SUA geralmente envolve a exclusão de gravidez (Beta HCG), avaliação hormonal e um hemograma completo para verificar anemia. No entanto, em pacientes com mais de 40 anos ou com fatores de risco para malignidade endometrial, a investigação deve ser mais aprofundada. A ultrassonografia transvaginal é o exame de imagem de primeira linha, pois permite avaliar a morfologia uterina, a presença de miomas, pólipos e, crucialmente, a espessura e características do endométrio. Se a ultrassonografia transvaginal levantar suspeitas de patologia intracavitária (pólipos, miomas submucosos) ou espessamento endometrial significativo, a histeroscopia diagnóstica com biópsia dirigida torna-se essencial. Este procedimento permite a visualização direta da cavidade uterina e a coleta de material para análise histopatológica, sendo o padrão-ouro para o diagnóstico de lesões endometriais pré-malignas e malignas. As alternativas que focam apenas em exames hormonais ou coagulograma são incompletas para a investigação de uma paciente com esses fatores de risco e idade.
As causas podem ser estruturais (pólipos, miomas, adenomiose, malignidade/hiperplasia endometrial) ou não estruturais (coagulopatias, disfunção ovulatória, iatrogênicas, não classificadas), exigindo uma investigação completa.
A USG transvaginal é um método não invasivo e de baixo custo que permite avaliar o útero, endométrio e ovários, identificando miomas, pólipos, adenomiose e espessamento endometrial, sendo crucial para o rastreamento inicial.
A histeroscopia é indicada quando a USG transvaginal sugere patologia intracavitária (pólipo, mioma submucoso) ou espessamento endometrial, permitindo visualização direta e biópsia dirigida para diagnóstico histopatológico.
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