FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024
Uma paciente de 35 anos comparece à consulta queixando-se de ciclos menstruais irregulares. Ela relata que tem tido ciclos que variam de 21 a 45 dias nos últimos seis meses. Seus períodos menstruais duram cerca de 7 dias, com um volume de sangue significativo que requer troca de absorvente a cada 2 horas. Ela também se queixa de dores abdominais intensas durante a menstruação. Seus exames laboratoriais revelam níveis baixos de hemoglobina e ferritina sérica. A paciente tem um índice de massa corporal de 30 kg/m². Com base nesses dados, qual é o próximo passo a ser seguido?
Sangramento uterino anormal + anemia → investigar causas estruturais (USG pélvica) e hormonais.
Paciente com sangramento uterino anormal (ciclos irregulares, menorragia) e anemia ferropriva necessita de investigação completa para identificar a causa subjacente. A ultrassonografia pélvica é o primeiro exame de imagem para avaliar causas estruturais, e a avaliação hormonal é essencial para disfunções ovulatórias.
O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa ginecológica comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, impactando significativamente sua qualidade de vida. Caracteriza-se por alterações na frequência, regularidade, duração ou volume do sangramento menstrual. A paciente em questão apresenta ciclos irregulares (oligomenorreia/polimenorreia), menorragia (sangramento intenso e prolongado) e dismenorreia, além de anemia ferropriva, indicando a necessidade de uma investigação aprofundada. A fisiopatologia do SUA é multifatorial, podendo envolver causas estruturais (como pólipos, adenomiose, leiomiomas) ou não estruturais (como disfunção ovulatória, coagulopatias, distúrbios endometriais). A obesidade (IMC de 30 kg/m²) pode contribuir para a disfunção ovulatória devido à aromatização periférica de androgênios em estrogênios, levando a um ambiente estrogênico crônico sem oposição da progesterona, resultando em proliferação endometrial excessiva e sangramento irregular. A anemia ferropriva é uma consequência direta da perda sanguínea crônica. O próximo passo na investigação deve ser abrangente. A ultrassonografia pélvica é o exame de imagem inicial de escolha para avaliar causas estruturais do SUA. Simultaneamente, a avaliação hormonal é crucial para identificar disfunções ovulatórias ou outros desequilíbrios endócrinos que possam estar contribuindo para o quadro. Testes de gravidez são importantes para excluir gestação, mas não são o único passo. A perda de peso é uma recomendação geral para obesidade, mas não aborda a causa imediata do sangramento e da anemia.
As causas de sangramento uterino anormal são classificadas pelo sistema PALM-COEIN: Pólipo, Adenomiose, Leiomioma, Malignidade e hiperplasia (estruturais - PALM); Coagulopatia, Disfunção ovulatória, Endometrial, Iatrogênica, Não classificadas (não estruturais - COEIN).
A ultrassonografia pélvica é um exame não invasivo e de baixo custo que permite avaliar a presença de causas estruturais do sangramento, como miomas, pólipos endometriais, adenomiose ou alterações ovarianas, sendo o exame de imagem inicial de escolha.
A obesidade pode levar a um estado de anovulação crônica devido à aromatização periférica de androgênios em estrogênios, resultando em níveis estrogênicos elevados e contínuos sem oposição da progesterona. Isso pode causar proliferação endometrial excessiva e sangramento uterino disfuncional.
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