INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2020
Uma paciente com 58 anos, G2P2A0, aposentada, chega ao pronto-socorro com sangramento uterino anormal iniciado há um dia. Relata menopausa há três anos, sem uso de TH. A sua última consulta ginecológica foi há três anos, com rotina de exames ginecológicos normais. Diabética e hipertensa, faz uso de hipoglicemiante oral e anti-hipertensivo; porém, de forma irregular. Ao exame clínico, constatou-se bom estado geral; PA: 140X90mmHg; pulso de 88bpm; aparelho cardiovascular: bulhas normofonéticas, ritmo cardíaco regular em 2T, aparelho respiratório: murmúrio vesicular fisiológico, ausência de ruídos adventícios; abdômen: plano, flácido, sem visceromegalias. Ao exame ginecológico, verificou-se genitália externa sem alterações e presença de pequena quantidade de sangramento. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta o procedimento que o médico DEVE realizar na emergência.
Sangramento pós-menopausa → Sempre investigar câncer de endométrio; iniciar com USG pélvica e hemograma.
Sangramento uterino pós-menopausa é um sinal de alerta e deve ser sempre investigado para excluir malignidade, principalmente câncer de endométrio. A conduta inicial na emergência inclui avaliar o estado hemodinâmico (hemograma) e a causa do sangramento (ultrassonografia pélvica para avaliar o endométrio).
O sangramento uterino anormal (SUA) pós-menopausa é definido como qualquer sangramento vaginal que ocorre após 12 meses consecutivos de amenorreia em uma mulher que atingiu a menopausa. Este é um sintoma de alerta crucial e deve ser sempre investigado, pois, embora a causa mais comum seja a atrofia endometrial, a principal preocupação é a exclusão de malignidade, especialmente o câncer de endométrio. A incidência de câncer de endométrio em mulheres com SUA pós-menopausa varia de 5% a 10%. A investigação inicial na emergência para uma paciente com sangramento pós-menopausa deve focar na avaliação do estado hemodinâmico e na identificação da causa do sangramento. Um hemograma completo é essencial para avaliar a presença e o grau de anemia. A ultrassonografia pélvica, preferencialmente transvaginal, é o exame de imagem de primeira linha, pois permite avaliar a espessura endometrial, a presença de massas ou pólipos, e a estrutura ovariana. Uma espessura endometrial maior que 4-5 mm em mulheres sem terapia hormonal é um forte indicativo para a necessidade de biópsia endometrial. Após a avaliação inicial, a conduta pode incluir a biópsia endometrial (por histeroscopia com biópsia dirigida ou curetagem uterina) para obter um diagnóstico histopatológico definitivo, especialmente se a ultrassonografia mostrar espessamento endometrial. O tratamento dependerá do diagnóstico, podendo variar desde manejo conservador para atrofia até cirurgia para câncer. É fundamental que os profissionais de saúde não subestimem o sangramento pós-menopausa e sigam um protocolo de investigação rigoroso para garantir o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.
A principal preocupação é o câncer de endométrio. Qualquer sangramento uterino após a menopausa deve ser investigado rigorosamente para excluir malignidade, mesmo que seja em pequena quantidade.
A ultrassonografia transvaginal é o exame de primeira linha para avaliar a espessura endometrial. Um endométrio com espessura maior que 4-5 mm em pacientes sem TH é um indicativo para prosseguir com biópsia endometrial.
Além do câncer de endométrio, outras causas incluem atrofia endometrial (a mais comum), pólipos endometriais, hiperplasia endometrial, miomas, atrofia vaginal, lesões cervicais ou vaginais e uso de terapia hormonal.
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