UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2025
Mulher, 46 anos de idade, secundípara, procura atendimento ginecológico referindo sangramento menstrual volumoso com coágulos há 2 dias. Refere que os ciclos sempre foram regulares, com intervalos de 28 dias e duração de quatro a cinco dias em moderada quantidade, porém, há cerca de um ano, começaram apresentar irregularidade, sendo que os intervalos entre as menstruações começaram a aumentar, com falhas em alguns ciclos e volume menstrual aumentado em alguns ciclos. Sem outras queixas, nega uso de medicações, última relação sexual há dois anos. Ao exame físico: PA = 120 x 80 mmHg; FC = 98 bpm; descorada 1+/4. IMC 26 kg/m² Especular: sem lesões de vagina ou colo, com saída ativa de sangue pelo OE. Ao toque: útero de volume normal, móvel e indolor; anexos livres. Nesse caso, qual é a etiologia mais provável?
Mulher > 40 anos com irregularidade menstrual (intervalos aumentados/imprevisíveis) e fluxo intenso → Disfunção ovulatória (SUA-O) da perimenopausa é a causa mais provável.
Na perimenopausa, a função ovariana declina, levando a ciclos anovulatórios. A ausência de ovulação resulta em estímulo estrogênico contínuo e sem oposição da progesterona, o que causa proliferação desordenada do endométrio e sangramento irregular e intenso.
O Sangramento Uterino Anormal (SUA) é uma queixa ginecológica comum, especialmente durante a transição menopausal (perimenopausa). A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) criou o sistema de classificação PALM-COEIN para padronizar a investigação das causas. O componente 'não estrutural' mais comum nesta faixa etária é a Disfunção Ovulatória (SUA-O). A fisiopatologia da SUA-O na perimenopausa está ligada ao declínio da função ovariana. Os folículos ovarianos tornam-se menos responsivos, resultando em ciclos anovulatórios ou com fase lútea inadequada. Sem a ovulação, não há formação do corpo lúteo e, consequentemente, não há produção de progesterona para estabilizar o endométrio. O estímulo estrogênico sem oposição leva a uma proliferação endometrial excessiva e desorganizada, que descama de forma irregular, resultando em sangramento imprevisível e muitas vezes intenso. O diagnóstico é primariamente de exclusão, após afastar as causas estruturais (Pólipo, Adenomiose, Leiomioma, Malignidade - PALM) e outras causas não estruturais (Coagulopatia, Iatrogênica, Endometrial, Não classificada - COEIN). A investigação inicial inclui exame físico, beta-hCG, hemograma e ultrassonografia transvaginal. Em mulheres com mais de 45 anos ou com fatores de risco para câncer de endométrio (obesidade, diabetes), a biópsia endometrial é mandatória para descartar hiperplasia ou neoplasia.
O sangramento é tipicamente imprevisível. A paciente pode apresentar desde períodos de amenorreia até episódios de sangramento intenso (menorragia) ou prolongado (menometrorragia). A irregularidade dos intervalos entre os ciclos é a marca registrada do quadro.
A abordagem inclui anamnese e exame físico detalhados, exclusão de gravidez (beta-hCG) e avaliação da cavidade uterina com ultrassonografia transvaginal para descartar causas estruturais. Em mulheres > 45 anos ou com fatores de risco, uma biópsia de endométrio é fundamental para excluir hiperplasia ou câncer.
Enquanto a SUA-O se caracteriza pela irregularidade dos ciclos, a miomatose (especialmente a submucosa) classicamente causa aumento do fluxo em ciclos que permanecem regulares (menorragia). A ultrassonografia transvaginal é o exame chave para visualizar os miomas e diferenciar as condições.
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