HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2022
Paciente com 28 anos, GII PII tem queixa de sangramento uterino anormal, com aumento dos dias de sangramento e do volume há 3 meses. Usa preservativo masculino para contracepção. Relata cólicas associadas, de fraca intensidade, eveutuais. Não apresenta doenças ou alergias. Ao exame: hipocorada +/4, normotensa, pulso: 88/min. Exame abdominal e ginecológico normal. Beta HCG negativo. A ultrassonografia transvaginal mostra útero piriforme em AVF, com miométrio homogêneo, com volume de 110cm³, endométrio regular e homogêneo com 5 mm de espessura, ovários e anexos normais, fundo de saco livre. Assinale a alternativa CORRETA:
Sangramento uterino anormal sem causa estrutural → investigar causas sistêmicas (hemograma, TSH) e iniciar ácido tranexâmico para controle.
Diante de um sangramento uterino anormal (SUA) sem alterações estruturais evidentes na ultrassonografia e com beta HCG negativo, é fundamental investigar causas sistêmicas, como discrasias sanguíneas (avaliadas pelo hemograma) e disfunções tireoidianas (avaliadas pelo TSH). O ácido tranexâmico é uma opção eficaz para o controle agudo do sangramento, agindo como antifibrinolítico.
O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa ginecológica comum que afeta mulheres em todas as fases da vida reprodutiva. A definição de SUA envolve alterações na frequência, regularidade, duração ou volume do sangramento menstrual. A abordagem diagnóstica deve ser sistemática, iniciando com a exclusão de gravidez e avaliação de causas estruturais e não estruturais. A ultrassonografia transvaginal é o exame de imagem de primeira linha para avaliar o útero e anexos. Quando a ultrassonografia é normal e o beta HCG é negativo, como no caso da questão, a investigação deve se voltar para as causas não estruturais, conforme o sistema PALM-COEIN. As causas mais comuns incluem disfunções ovulatórias, coagulopatias, distúrbios endometriais e causas iatrogênicas. É crucial solicitar exames laboratoriais como hemograma (para avaliar anemia e distúrbios de coagulação) e TSH (para rastrear hipotireoidismo ou hipertireoidismo, que podem afetar o ciclo menstrual). O tratamento inicial do SUA visa controlar o sangramento e melhorar a qualidade de vida da paciente. O ácido tranexâmico é uma excelente opção para o controle sintomático do sangramento excessivo, agindo rapidamente. Contraceptivos hormonais combinados também são eficazes, mas podem não ser a primeira escolha se a paciente não deseja contracepção hormonal ou se há contraindicações. A gosserelina é um análogo de GnRH, geralmente reservado para casos mais graves ou específicos, como miomas volumosos, e não seria a conduta inicial para um SUA sem causa estrutural evidente. A ressonância magnética seria um exame de segunda linha, não indicado como primeira conduta para descartar endometriose em um cenário de SUA sem outras evidências.
Além da ultrassonografia transvaginal e beta HCG, é fundamental solicitar um hemograma completo para avaliar anemia e plaquetas, e TSH para rastrear disfunções tireoidianas, que podem causar sangramento uterino anormal.
O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico que inibe a ativação do plasminogênio em plasmina, prevenindo a degradação do coágulo e, assim, reduzindo o fluxo e a duração do sangramento menstrual excessivo.
As causas do sangramento uterino anormal são classificadas pelo sistema PALM-COEIN: Pólipo, Adenomiose, Leiomioma, Malignidade e hiperplasia (estruturais - PALM); Coagulopatia, Disfunção ovulatória, Endometrial, Iatrogênica, Não classificada (não estruturais - COEIN).
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