Sangramento Uterino Anormal: Diagnóstico e Conduta

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020

Enunciado

Paciente 38 anos, nuligesta, vem ao PA ginecológico com queixa de sangramento irregular há 6 meses, associado com perda de peso aproximado de 5 kg no período, queixa de fraqueza, cansaço e falta de ar. Ao exame ginecológico, colo sem ectopias, sem sangramento no momento do exame, útero aumentado de volume. Solicitada ultrassonografia transvaginal, evidenciando útero com volume de 325 cm³ e endométrio de 41 mm com perda de interface entre endométrio e miométrio, hemograma com Hb: 7,8 g/dL e Ht: 23,5%. Diante do caso, a próxima conduta será:

Alternativas

  1. A) Histeroscopia com biopsia endometrial.
  2. B) Histeroscopia diagnóstica.
  3. C) Histerectomia total com biopsia de congelação.
  4. D) Histerectomia total + ooforectomia bilateral e esvaziamento ganglionar.

Pérola Clínica

Sangramento uterino anormal + anemia + perda peso + endométrio espessado → Histeroscopia com biópsia endometrial.

Resumo-Chave

Paciente com sangramento uterino irregular, anemia grave, perda de peso e espessamento endometrial significativo com perda da interface endométrio-miométrio, sugere patologia endometrial grave, como hiperplasia atípica ou câncer. A histeroscopia com biópsia endometrial é a conduta diagnóstica padrão-ouro para avaliar o endométrio e obter material para histopatologia.

Contexto Educacional

O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa ginecológica comum que exige investigação cuidadosa, especialmente quando associado a sinais de alarme como perda de peso inexplicada e anemia grave. Em pacientes com útero aumentado de volume e endométrio espessado na ultrassonografia transvaginal, a suspeita de patologia endometrial, incluindo hiperplasia atípica ou carcinoma, é elevada. A perda da interface entre endométrio e miométrio na ultrassonografia pode sugerir invasão miometrial ou adenomiose, mas a avaliação histopatológica é fundamental. A conduta diagnóstica padrão-ouro para avaliar o endométrio nesses casos é a histeroscopia com biópsia endometrial. A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando lesões focais e guiando a coleta de material para análise histopatológica, que é essencial para um diagnóstico preciso. Outras opções como biópsia cega (curetagem) podem não ser tão eficazes em detectar lesões focais. A decisão por uma histerectomia total é um tratamento definitivo e deve ser baseada em um diagnóstico histopatológico confirmado. Realizar uma histerectomia sem biópsia prévia pode ser inadequado, pois a lesão pode ser benigna ou pré-maligna, permitindo abordagens menos invasivas ou um planejamento cirúrgico mais preciso. A avaliação completa do caso, incluindo a extensão da doença, é crucial para definir o tratamento mais adequado e o prognóstico da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais achados clínicos e de imagem sugerem malignidade endometrial?

Sangramento uterino anormal, perda de peso inexplicada, anemia, útero aumentado e endométrio espessado (>4mm em pós-menopausa ou >12-15mm em pré-menopausa com sintomas) com perda da interface miometrial na ultrassonografia são achados que levantam forte suspeita de malignidade endometrial.

Qual a importância da histeroscopia com biópsia endometrial neste caso?

A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina e a biópsia dirigida de áreas suspeitas, sendo o método mais preciso para o diagnóstico histopatológico de hiperplasia endometrial ou câncer de endométrio.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais para endométrio espessado?

Os diagnósticos diferenciais incluem hiperplasia endometrial (simples, complexa, com ou sem atipias), pólipos endometriais, miomas submucosos, adenomiose e carcinoma endometrial.

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