Sangramento Uterino Anormal: Investigação com Histeroscopia

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 46 anos, com queixa de sangramento uterino aumentado há 6 meses. Refere ciclos irregulares com sangramento quase diariamente em pequena monta. Nega dor pélvica. G2P0A2. Última Colpocitologia oncótica recente com resultado de amostra satisfatória, negativa para malignidade. Exame clínico sem alterações significativas, exceto por índice de massa corporal 38 kg/m2 e PA 140X80mmHg. Foi solicitada ultrassonografia com útero em AVF, medindo 9×6×5cm, mioma intramural com 2 cm em parede fúndica (FIGO 4), eco endometrial heterogêneo com 10 mm, ovários medindo 3 cm cada um. Foi prescrito desogestrel 75 mcg uso contínuo, mas após 3 meses não havia melhora do padrão de sangramento. Qual a conduta recomendada?

Alternativas

  1. A) Realizar histeroscopia diagnóstica com biópsia.
  2. B) Solicitar ressonância magnética de pelve.
  3. C) Recomendar histerectomia total via laparoscópica.
  4. D) Indicar miomectomia laparoscópica.
  5. E) Trocar o desogestrel por DIU medicado com Levonorgestrel.

Pérola Clínica

Sangramento uterino anormal + eco endometrial heterogêneo/espessado, falha terapêutica → Histeroscopia diagnóstica com biópsia para excluir malignidade.

Resumo-Chave

Em uma paciente de 46 anos com sangramento uterino anormal persistente, falha ao tratamento hormonal (desogestrel) e um eco endometrial heterogêneo com 10 mm, a principal preocupação é excluir patologias endometriais malignas ou pré-malignas. Embora haja um mioma, o endométrio heterogêneo exige investigação. A histeroscopia diagnóstica com biópsia é a conduta mais apropriada para visualizar diretamente a cavidade uterina, identificar lesões e obter material para análise histopatológica, que é essencial para um diagnóstico definitivo.

Contexto Educacional

O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa ginecológica comum, especialmente em mulheres na perimenopausa, e pode ter diversas etiologias, desde causas funcionais até patologias estruturais ou malignas. A abordagem diagnóstica deve ser sistemática, visando identificar a causa subjacente para um tratamento eficaz. A prevalência de SUA é alta, afetando até um terço das mulheres em idade reprodutiva e perimenopausa. A investigação do SUA começa com uma anamnese detalhada, exame físico e ultrassonografia transvaginal. Achados como eco endometrial heterogêneo ou espessado, especialmente em pacientes com fatores de risco (obesidade, hipertensão, anovulação crônica) ou falha ao tratamento clínico, levantam a suspeita de patologia endometrial. O mioma intramural (FIGO 4) pode contribuir para o sangramento, mas a prioridade é excluir condições mais graves do endométrio, como hiperplasia com atipias ou câncer. Nesse cenário, a histeroscopia diagnóstica com biópsia endometrial é a conduta mais apropriada. Ela permite a visualização direta da cavidade uterina, a identificação de lesões focais (pólipos, miomas submucosos, áreas suspeitas) e a coleta de amostras direcionadas para análise histopatológica. Isso é crucial para um diagnóstico definitivo e para guiar o tratamento, que pode variar desde terapia hormonal ajustada até procedimentos cirúrgicos como polipectomia, miomectomia ou histerectomia, dependendo do resultado da biópsia.

Perguntas Frequentes

Quando a histeroscopia diagnóstica com biópsia é indicada para sangramento uterino anormal?

A histeroscopia diagnóstica com biópsia é indicada quando há sangramento uterino anormal persistente, falha ao tratamento clínico, achados ultrassonográficos suspeitos no endométrio (espessamento, heterogeneidade, pólipos) ou fatores de risco para câncer de endométrio, para visualizar a cavidade e obter amostras para histopatologia.

Qual a importância de um eco endometrial heterogêneo em uma paciente com sangramento uterino anormal?

Um eco endometrial heterogêneo, especialmente em uma paciente perimenopausa ou com fatores de risco, é um sinal de alerta que pode indicar a presença de pólipos, hiperplasia endometrial, miomas submucosos ou, mais gravemente, câncer de endométrio. Requer investigação adicional para definir a causa.

Por que o desogestrel falhou em controlar o sangramento desta paciente?

O desogestrel pode falhar em controlar o sangramento por diversas razões, incluindo a presença de patologias estruturais como miomas (embora o FIGO 4 seja intramural e não submucoso, pode contribuir), pólipos não diagnosticados, ou hiperplasia endometrial. A falha terapêutica reforça a necessidade de investigação diagnóstica mais aprofundada.

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