Sangramento Uterino Agudo: Diagnóstico e Manejo Inicial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente de 34 anos, solteira, G2P2A0C0, com ligadura tubária há 4 anos, sem parceria sexual, e sem uso de outros métodos contraceptivos, apresenta aumento de volume menstrual nos últimos 6 ciclos, associado a aumento do período menstrual de 3 para 7 dias. Refere a presença há 5 dias, de sangramento excessivo com coágulos, e aumento do volume há 6 horas, associado à dor abdominal em cólica, astenia, cansaço e fraqueza. A paciente nega possuir doenças prévias ou fazer uso de medicamentos. Apresenta-se em regular estado geral, descorada +/4+, desidratada +/4+, com pressão arterial de 80 × 50 mmHg, frequência cardíaca de 108 batimentos por minuto, sem outras alterações. Ao exame especular, observa-se grande quantidade de sangue saindo pelo orifício cervical externo, e parede vaginal íntegra. Diante disso, o médico de família e comunidade inicia a hidratação com soro fisiológico 0,9%, 1 000 mL intravenoso, e solicita a remoção da paciente para o serviço de urgência. Com base nesse quadro, quais devem ser, respectivamente, os primeiros exames complementares e a terapêutica medicamentosa inicial a serem ofertados à paciente?

Alternativas

  1. A) Hemograma, TSH, ultrassonografia transvaginal; prescrição de acetato de medroxiprogesterona.
  2. B) TGO, TGP, coagulograma e hemograma; prescrição de desogestrel de uso contínuo.
  3. C) Coagulograma e ultrassonografia transvaginal; prescrição de ácido mefenâmico. 
  4. D) FSH, LH e prolactina; prescrição de diclofenaco sódico. 

Pérola Clínica

Sangramento uterino agudo + instabilidade hemodinâmica → estabilização + hemograma, USG TV, TSH + progesterona.

Resumo-Chave

Em um quadro de sangramento uterino anormal agudo com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, descoramento), a prioridade é a estabilização volêmica e a investigação rápida da causa. Hemograma avalia a perda sanguínea e a necessidade de transfusão, TSH rastreia disfunção tireoidiana como causa de SUA, e a ultrassonografia transvaginal é crucial para avaliar a anatomia uterina e descartar causas estruturais. A progesterona é uma opção terapêutica para estabilizar o endométrio.

Contexto Educacional

O sangramento uterino anormal (SUA) agudo é uma condição ginecológica comum que pode levar a instabilidade hemodinâmica e necessita de manejo rápido e eficaz. É definido como um episódio de sangramento excessivo que requer intervenção imediata para prevenir perda sanguínea adicional. A etiologia é variada, incluindo causas estruturais (pólipos, adenomiose, leiomiomas, malignidade e hiperplasia) e não estruturais (coagulopatias, disfunção ovulatória, endometrial, iatrogênica e não classificadas). A avaliação inicial deve focar na estabilização da paciente e na identificação da causa. A abordagem diagnóstica em um cenário de emergência começa com a avaliação hemodinâmica e a reposição volêmica. Exames complementares essenciais incluem hemograma completo para avaliar o grau de anemia e a necessidade de transfusão, testes de função tireoidiana (TSH) para descartar disfunções que podem alterar o ciclo menstrual, e um teste de gravidez (beta-hCG) para excluir complicações gestacionais. A ultrassonografia transvaginal é crucial para visualizar o útero e anexos, identificando miomas, pólipos, adenomiose ou outras anomalias estruturais. O tratamento inicial depende da causa e da estabilidade da paciente. Em casos de sangramento disfuncional sem causa estrutural evidente, a terapia hormonal com progesterona (como o acetato de medroxiprogesterona) pode ser utilizada para estabilizar o endométrio e controlar o sangramento. Outras opções incluem estrogênios em altas doses, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou antifibrinolíticos. Em situações de sangramento maciço e refratário, procedimentos como curetagem uterina ou, em casos extremos, histerectomia podem ser necessários. A identificação precoce e o manejo adequado são fundamentais para prevenir complicações graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os primeiros passos no manejo de um sangramento uterino agudo com instabilidade hemodinâmica?

Os primeiros passos incluem estabilização volêmica com fluidos intravenosos, avaliação da repercussão hemodinâmica e solicitação de exames complementares urgentes como hemograma, TSH e ultrassonografia transvaginal.

Por que o hemograma, TSH e ultrassonografia transvaginal são os exames iniciais mais importantes?

O hemograma avalia a magnitude da perda sanguínea e a necessidade de transfusão. O TSH rastreia disfunções tireoidianas que podem causar sangramento. A ultrassonografia transvaginal é fundamental para identificar causas estruturais uterinas.

Qual o papel do acetato de medroxiprogesterona no tratamento inicial do sangramento uterino agudo?

O acetato de medroxiprogesterona é usado para estabilizar o endométrio e reduzir o sangramento em casos de sangramento uterino anormal disfuncional, especialmente quando não há causas estruturais ou outras patologias graves.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo