HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021
Cleide, 46 anos de idade apresenta sangramento menstrual excessivo há 3 dias acompanhado de intensa dor em cólica. PA 100/60mmHg, FC 100bpm, FR 12 ipm. Exame especular com sangramento ativo pelo colo uterino. No toque vaginal, o útero é regular, com volume habitual e não doloroso à mobilização. Qual é a conduta?
Sangramento uterino agudo sem causa estrutural evidente e com estabilidade hemodinâmica → progesterona em dose elevada para controle.
Diante de um sangramento uterino anormal agudo, sem evidência de instabilidade hemodinâmica grave (PA 100/60, FC 100, embora limítrofe, não é choque franco) e sem achados de massa ou dor à mobilização uterina, a conduta inicial é o tratamento clínico para parar o sangramento. A progesterona em dose elevada é uma opção eficaz para estabilizar o endométrio e controlar o sangramento.
O sangramento uterino anormal (SUA) agudo é uma queixa comum na ginecologia, caracterizado por sangramento excessivo que requer intervenção imediata para prevenir perda sanguínea adicional. A etiologia pode ser variada, incluindo causas estruturais (pólipos, adenomiose, leiomiomas, malignidade) ou não estruturais (coagulopatias, disfunção ovulatória, iatrogênica, não classificadas). A avaliação inicial visa determinar a estabilidade hemodinâmica da paciente e a provável causa do sangramento. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, sem evidência de lesões estruturais graves ou malignidade, o tratamento clínico é a primeira linha. A progesterona em dose elevada é uma opção eficaz, pois estabiliza o endométrio proliferativo, induzindo uma fase secretora e, consequentemente, a descamação controlada, que cessa o sangramento. Outras opções clínicas incluem estrogênios em altas doses (para estabilização rápida do endométrio) ou anti-fibrinolíticos como o ácido tranexâmico (Transamin EV), que reduzem o fluxo menstrual. Procedimentos invasivos como a curetagem uterina são reservados para casos de instabilidade hemodinâmica, falha do tratamento clínico, suspeita de malignidade ou retenção de produtos da concepção. A histeroscopia diagnóstica é mais utilizada para investigação de causas estruturais após o controle do sangramento agudo.
A progesterona em dose elevada é indicada para sangramento uterino anormal agudo, especialmente em casos de hemorragia uterina disfuncional (sem causa estrutural evidente), para estabilizar o endométrio e controlar o sangramento, desde que a paciente esteja hemodinamicamente estável.
Um sangramento é considerado 'não grave' quando a paciente está hemodinamicamente estável (pressão arterial e frequência cardíaca dentro de limites aceitáveis, sem sinais de choque), sem anemia aguda severa e sem evidência de lesão estrutural que exija intervenção cirúrgica imediata.
A curetagem uterina é preferencial em casos de sangramento uterino agudo com instabilidade hemodinâmica, falha do tratamento clínico, suspeita de malignidade, retenção de produtos da concepção ou para diagnóstico histopatológico urgente.
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