Menorragia na Adolescência: Investigação e Conduta Inicial

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente feminina com 12 anos de idade com sangramento menstrual intenso desde a sua menarca, que ocorreu há 6 meses. Sobre a investigação e conduta, se deve:

Alternativas

  1. A) solicitar ultrassom pélvico para avaliar a principal hipótese, que é alterações polipóides e/ou miomatosas, e iniciar AINH (anti-inflamatórios não hormonais)
  2. B) solicitar ultrassom pélvico para avaliar possibilidade de endometriose profunda devido à quadro descrito acima e iniciar contraceptivo combinado.
  3. C) solicitar exames de hemograma e coagulograma para avaliação da principal hipótese nessa idade.
  4. D) encaminhar a paciente a um ginecologista infanto-puberal para investigação de menarca /puberdade precoce
  5. E) internar a paciente para investigação por ressonância magnética da pelve para afastar malformações mullerianas.

Pérola Clínica

Adolescente com sangramento menstrual intenso desde menarca → investigar distúrbios de coagulação (hemograma, coagulograma).

Resumo-Chave

Em adolescentes com sangramento menstrual intenso desde a menarca, a principal hipótese diagnóstica são os distúrbios de coagulação ou disfunções plaquetárias. A investigação inicial deve incluir hemograma completo e coagulograma para descartar essas condições, antes de considerar causas estruturais ou hormonais mais complexas.

Contexto Educacional

O sangramento uterino anormal (SUA) em adolescentes, especialmente quando intenso desde a menarca, é uma condição que exige investigação cuidadosa. A etiologia mais comum nessa faixa etária são os distúrbios de coagulação, como a doença de von Willebrand, ou disfunções plaquetárias. A imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário também pode levar a ciclos anovulatórios, resultando em sangramento irregular e, por vezes, profuso. É crucial diferenciar essas causas para instituir o tratamento adequado e prevenir complicações como anemia grave. A abordagem diagnóstica inicial deve ser focada na exclusão de coagulopatias. Isso inclui a realização de um hemograma completo para avaliar o grau de anemia e um coagulograma abrangente para identificar possíveis deficiências nos fatores de coagulação ou disfunções plaquetárias. A história clínica detalhada, incluindo histórico familiar de sangramentos, é fundamental. Somente após descartar essas condições, outras causas como anomalias estruturais (pólipos, miomas, malformações mullerianas) ou distúrbios endócrinos mais complexos devem ser investigadas, geralmente com exames de imagem como o ultrassom pélvico. O tratamento dependerá da causa subjacente. Em casos de coagulopatias, pode envolver terapias específicas para o distúrbio. Para sangramento disfuncional sem causa orgânica, anti-inflamatórios não esteroides (AINH) e contraceptivos hormonais combinados são opções. A internação e a ressonância magnética são reservadas para casos específicos de sangramento refratário ou suspeita de malformações complexas. O encaminhamento a um ginecologista infanto-puberal é sempre válido para manejo especializado.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de sangramento menstrual intenso em adolescentes?

As principais causas em adolescentes incluem distúrbios de coagulação (como doença de von Willebrand), disfunções plaquetárias e, menos frequentemente, distúrbios hormonais ou causas estruturais. A imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário também pode levar a ciclos anovulatórios e sangramento irregular.

Por que o hemograma e coagulograma são exames iniciais importantes?

O hemograma avalia a presença e gravidade da anemia, enquanto o coagulograma (incluindo tempo de protrombina, tempo de tromboplastina parcial ativada e contagem de plaquetas) é crucial para identificar distúrbios de coagulação, que são a principal causa de sangramento excessivo em adolescentes com menarca recente.

Quando se deve considerar o ultrassom pélvico na investigação de menorragia em adolescentes?

O ultrassom pélvico é indicado após a exclusão de distúrbios de coagulação e disfunções hormonais, ou se houver suspeita clínica de anomalias estruturais (pólipos, miomas, malformações) que, embora raras, podem ocorrer. Não é a primeira linha de investigação em sangramento intenso desde a menarca.

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