UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Adolescente de 15 anos relata aumento da duração e do volume da menstruação. AP: menarca aos 12 anos e 6 meses, DUM há 2 meses.Os exames laboratoriais imprescindíveis na avaliação inicial são
SUA em adolescente → 1º: β-hCG para excluir gravidez; 2º: Hemograma para avaliar repercussão hemodinâmica.
Na avaliação inicial do sangramento uterino anormal (SUA) em adolescentes, as prioridades são excluir gestação (causa comum de sangramento irregular) e quantificar a perda sanguínea para avaliar a necessidade de intervenção urgente. A imaturidade do eixo HHO é um diagnóstico de exclusão.
O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa comum na adolescência, frequentemente associada à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário (HHO). Nos primeiros anos após a menarca, até 50% dos ciclos menstruais podem ser anovulatórios. A ausência de ovulação leva a uma produção contínua de estrogênio sem a oposição da progesterona, resultando em um endométrio hiperproliferado e instável, que descama de forma irregular e, muitas vezes, intensa. Apesar da alta prevalência de SUA disfuncional, a abordagem inicial deve ser sistemática para excluir outras causas importantes. A primeira etapa é sempre afastar a possibilidade de gravidez, solicitando um teste de β-hCG. Complicações gestacionais, como abortamento e gravidez ectópica, são causas significativas de sangramento. A segunda etapa é avaliar a repercussão clínica do sangramento através de um hemograma completo para quantificar a anemia e guiar a urgência do tratamento. Somente após a exclusão de gravidez e a avaliação da estabilidade hemodinâmica, a investigação pode prosseguir para outras causas, como coagulopatias (especialmente a Doença de von Willebrand), infecções, distúrbios endocrinológicos (tireoidopatias, hiperprolactinemia) ou, mais raramente, lesões estruturais. O diagnóstico de SUA por imaturidade do eixo HHO é, portanto, um diagnóstico de exclusão.
Os exames iniciais e indispensáveis são o hemograma completo, para avaliar a presença e a gravidade da anemia, e o teste de gravidez (β-hCG) para excluir gestação, que pode se manifestar como sangramento irregular.
Se houver instabilidade hemodinâmica ou anemia grave (ex: Hb < 7 g/dL), a paciente deve ser hospitalizada para estabilização, possível transfusão sanguínea e controle hormonal agudo do sangramento, geralmente com estrogênios em altas doses ou progestágenos.
A investigação de coagulopatias, como a Doença de von Willebrand, é indicada se o sangramento for intenso desde a menarca, houver história pessoal de outras hemorragias (epistaxe, equimoses fáceis) ou história familiar positiva para distúrbios de coagulação.
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