SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2020
Menina com 11 anos é trazida à emergência por sua mãe, por causa de sangramento vaginal abundante. O exame ginecológico não evidenciou lesões genitais, apenas o sangramento ativo; palidez cutânea, PA 90 X 40 mmHg, FC: 100 bpm, hemoglobina abaixo de 12g/dl; USG pélvica e coagulograma normais. Mediante o quadro clínico apresentado e resultado dos exames, qual a conduta mais adequada?
Sangramento uterino anormal em adolescente com instabilidade hemodinâmica → Estrogênio oral alta dose + suporte.
Em adolescentes com sangramento uterino anormal e instabilidade hemodinâmica, a conduta inicial é estabilizar o paciente e controlar o sangramento. Estrogênios orais em altas doses são eficazes para estabilizar o endométrio e cessar a hemorragia, sendo uma alternativa à curetagem em pacientes jovens.
O sangramento uterino anormal (SUA) na adolescência, frequentemente denominado hemorragia uterina disfuncional (HUD), é uma condição comum que pode gerar grande ansiedade e, em casos graves, instabilidade hemodinâmica. A causa mais comum é a imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, resultando em ciclos anovulatórios e produção irregular de estrogênio sem oposição de progesterona, levando a um endométrio proliferativo instável e sangramento irregular e prolongado. É crucial descartar outras causas como distúrbios de coagulação, lesões genitais, gravidez e infecções, através de exames como coagulograma e ultrassonografia pélvica. A prevalência de HUD é maior nos primeiros anos pós-menarca. O diagnóstico de HUD é de exclusão, após afastar outras etiologias. A apresentação clínica varia de sangramento leve a hemorragia grave, com sinais de anemia e, em casos extremos, choque hipovolêmico. A avaliação inicial deve incluir a estabilidade hemodinâmica da paciente, exames laboratoriais (hemograma, coagulograma, beta-hCG) e ultrassonografia pélvica. A fisiopatologia envolve a proliferação endometrial excessiva e irregular devido à estimulação estrogênica contínua sem a fase secretora da progesterona, resultando em um endométrio frágil e propenso a sangramentos. O tratamento depende da gravidade do sangramento e da estabilidade hemodinâmica. Em casos de sangramento abundante com instabilidade, a internação e o suporte básico de vida são mandatórios, incluindo reposição volêmica. A terapia com estrogênios orais em doses elevadas é a pedra angular do tratamento agudo, pois promove a rápida regeneração e estabilização do endométrio, cessando o sangramento. Após o controle agudo, a paciente deve ser acompanhada para tratamento de manutenção, geralmente com anticoncepcionais orais combinados, para regular os ciclos e prevenir recorrências. A vigilância constante da redução do sangramento é essencial.
Sinais de instabilidade hemodinâmica incluem hipotensão (PA 90x40 mmHg), taquicardia (FC 100 bpm), palidez cutânea e hemoglobina abaixo do normal. Estes indicam a necessidade de intervenção imediata para reposição volêmica e controle do sangramento.
Estrogênios em altas doses promovem a proliferação rápida do endométrio, estabilizando a camada superficial e induzindo a coagulação nos vasos sanguíneos endometriais, o que leva à cessação do sangramento. É uma abordagem clínica eficaz e menos invasiva que a curetagem.
A curetagem uterina é geralmente reservada para casos de sangramento maciço e incontrolável que não responde ao tratamento clínico com estrogênios, ou em situações de suspeita de malignidade. Deve ser evitada sempre que possível em adolescentes para preservar a integridade uterina.
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