UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Adolescente, 12a, refere menstruações com ciclos regulares com fluxo aumentado, desde a menarca há 1 ano. Antecedentes Pessoais: nega procedimentos cirúrgicos. A CONDUTA É:
Adolescente com menorragia desde menarca → Investigar coagulopatias, especialmente Doença de Von Willebrand.
Sangramento uterino anormal (SUA) em adolescentes, especialmente com menorragia desde a menarca, frequentemente indica um distúrbio de hemostasia. A Doença de Von Willebrand é a coagulopatia hereditária mais comum e deve ser ativamente pesquisada nesses casos, pois o diagnóstico precoce é crucial para o manejo adequado.
O Sangramento Uterino Anormal (SUA) é uma queixa comum na adolescência, e a menorragia (fluxo menstrual excessivo) é a apresentação mais frequente. Embora a imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano possa levar a ciclos anovulatórios e sangramentos irregulares, a menorragia persistente e intensa desde a menarca, como no caso, deve levantar a suspeita de distúrbios de hemostasia. A Doença de Von Willebrand é a coagulopatia hereditária mais comum, afetando cerca de 1% da população, e é responsável por uma parcela significativa dos casos de menorragia em adolescentes. A fisiopatologia da Doença de Von Willebrand envolve a deficiência ou disfunção do fator de Von Willebrand (FvW), uma proteína essencial para a adesão plaquetária e para a proteção do fator VIII da coagulação. Quando há suspeita, a investigação deve incluir história familiar de sangramentos, exames laboratoriais como hemograma completo, coagulograma (TP, PTTa), e testes específicos para FvW (antígeno, atividade de cofator de ristocetina) e fator VIII. É importante realizar esses testes fora do período menstrual e sem uso de medicamentos que afetem a coagulação. O tratamento da menorragia associada à Doença de Von Willebrand pode incluir terapias hormonais (contraceptivos orais combinados), antifibrinolíticos (ácido tranexâmico), desmopressina (DDAVP) para aumentar os níveis de FvW endógeno, e, em casos graves, concentrados de FvW/FVIII. O manejo adequado é fundamental para prevenir anemia ferropriva, melhorar a qualidade de vida e evitar complicações hemorrágicas em procedimentos cirúrgicos ou partos futuros.
Sinais de alerta incluem sangramento intenso desde a menarca, sangramentos em outros locais (epistaxe, gengival), equimoses fáceis, história familiar de distúrbios hemorrágicos e falha na resposta a tratamentos hormonais.
O diagnóstico envolve a história clínica detalhada, exames laboratoriais como tempo de sangramento, PTTa, e dosagem do fator de Von Willebrand (antígeno e atividade), além da atividade do fator VIII.
A investigação precoce é crucial para evitar complicações hemorrágicas graves, permitir o manejo adequado de sangramentos e procedimentos cirúrgicos, e melhorar a qualidade de vida da paciente.
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