Sangramento Genital em Adolescentes: Diagnóstico Diferencial

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022

Enunciado

Jovem de 15 anos, G0P0, sem atividade sexual, veio à emergência, com quadro de sangramento genital importante há uma semana. Durante o exame físico, foi observada taquicardia e mucosas descoradas, além do sangramento genital de moderada quantidade. Considerando a provável condição clínica, qual é o principal diagnóstico diferencial?

Alternativas

  1. A) Endometriose
  2. B) Discrasia sanguínea
  3. C) Adenomiose
  4. D) Hiperplasia endometrial

Pérola Clínica

Sangramento genital importante em adolescente G0P0 com sinais de anemia → investigar discrasia sanguínea como principal diferencial.

Resumo-Chave

Em adolescentes G0P0 com sangramento genital profuso e sinais de hipovolemia/anemia, a principal hipótese diagnóstica é uma discrasia sanguínea, como a doença de von Willebrand ou outras coagulopatias, que podem se manifestar com sangramentos uterinos anormais desde a menarca.

Contexto Educacional

O sangramento uterino anormal (SUA) na adolescência é uma condição comum, mas quando se apresenta de forma importante, com sinais de instabilidade hemodinâmica, a investigação de discrasias sanguíneas torna-se prioritária. A prevalência de distúrbios de coagulação, como a doença de von Willebrand, é significativamente maior em adolescentes com SUA grave, podendo chegar a 20% ou mais. É crucial reconhecer que, embora disfunções hormonais sejam causas frequentes de SUA em adolescentes, a gravidade do sangramento e a presença de outros sítios hemorrágicos devem levantar a suspeita de uma coagulopatia subjacente. A fisiopatologia das discrasias sanguíneas envolve deficiências ou disfunções de fatores de coagulação ou plaquetas, resultando em hemostasia comprometida. O diagnóstico diferencial inclui a doença de von Willebrand, deficiências de fatores (ex: Fator VII, XI), plaquetopenias e disfunções plaquetárias. A história clínica detalhada, incluindo padrão de sangramento e história familiar, é fundamental. Exames laboratoriais como hemograma completo, coagulograma (TP, TTPa), fibrinogênio e testes específicos para doença de von Willebrand são essenciais. O tratamento inicial foca na estabilização hemodinâmica e no controle do sangramento agudo, que pode incluir terapia hormonal (estrogênios em altas doses), antifibrinolíticos (ácido tranexâmico) e, em casos de discrasia confirmada, reposição de fatores de coagulação ou desmopressina. O prognóstico é geralmente bom com o diagnóstico e tratamento adequados, mas a falta de reconhecimento pode levar a complicações graves, como anemia crônica e necessidade de transfusões repetidas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para discrasia sanguínea em adolescente com sangramento genital?

Sinais de alerta incluem sangramento profuso desde a menarca, equimoses fáceis, epistaxe recorrente, sangramento prolongado após pequenos traumas ou cirurgias, e história familiar de distúrbios hemorrágicos.

Qual a conduta inicial para uma adolescente com sangramento genital importante e suspeita de discrasia?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica (fluidos, transfusão se necessário), coleta de exames para coagulograma completo (TP, TTPa, fibrinogênio, contagem de plaquetas) e avaliação de fatores de coagulação específicos.

Como diferenciar sangramento uterino disfuncional de discrasia sanguínea em adolescentes?

O sangramento uterino disfuncional geralmente é anovulatório e sem sinais de coagulopatia sistêmica. Discrasias sanguíneas apresentam sangramento mais intenso, desde a menarca, e frequentemente associado a outros sítios de sangramento.

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