UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019
Adolescente de 13 anos e 6 meses apresenta sangramento vaginal em grande quantidade com saída de coágulos há um dia. AP: menarca aos 12 anos, nega vida sexual ativa. Exame físico: PA 80 x 50 mmHg, descorada 3+/4, FC 110 bpm. A conduta inicial é
Sangramento uterino agudo em adolescente com instabilidade hemodinâmica → internação, estabilização volêmica, afastar gravidez, terapia estrogênica.
Adolescentes com sangramento uterino anormal e instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, palidez) necessitam de internação e estabilização imediata. É crucial descartar gravidez antes de iniciar terapia hormonal, e a terapia estrogênica em altas doses é a primeira linha para controle do sangramento agudo disfuncional.
O sangramento uterino anormal (SUA) na adolescência é uma condição comum, frequentemente associada à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, resultando em ciclos anovulatórios e sangramento disfuncional. A prevalência é alta nos primeiros anos pós-menarca, e a apresentação pode variar de sangramentos leves a hemorragias graves que causam instabilidade hemodinâmica, exigindo atenção médica imediata. O diagnóstico diferencial do SUA em adolescentes é amplo e inclui causas hormonais (disfunção ovulatória), coagulopatias, distúrbios anatômicos, infecções e, crucialmente, gravidez e suas complicações. A avaliação inicial deve focar na estabilidade hemodinâmica, com aferição de pressão arterial e frequência cardíaca, e na exclusão de gravidez através de teste de β-hCG. O hemograma é essencial para avaliar o grau de anemia. O tratamento do SUA agudo com instabilidade hemodinâmica requer internação e reposição volêmica agressiva. Após estabilização e exclusão de gravidez, a terapia estrogênica em altas doses (ex: estrogênios conjugados equinos 25 mg IV a cada 4-6 horas) é eficaz para cessar o sangramento. Posteriormente, um regime de progestagênios pode ser adicionado para estabilizar o endométrio e prevenir novos episódios.
Sinais de instabilidade incluem hipotensão (PA < 90/60 mmHg), taquicardia (>100 bpm), palidez intensa, tontura e síncope. A avaliação rápida é crucial para determinar a necessidade de internação e reposição volêmica.
A conduta inicial envolve internação, reposição volêmica com cristaloides, solicitação de hemograma e teste de gravidez. Após exclusão de gravidez, a terapia estrogênica em altas doses é indicada para controle do sangramento.
É fundamental descartar gravidez, mesmo em pacientes que negam vida sexual, para excluir complicações como aborto espontâneo ou gravidez ectópica, que exigem manejos específicos e podem ser fatais se não identificadas.
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