Sangramento Uterino Anormal: Investigação do Endométrio

UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020

Enunciado

CRAP, 44 anos, é uma freira que vive reclusa no mosteiro das Clarissas. Ela é virgem, obesa (a comida do convento é divina!), hipertensa e diabética. De uns tempos para cá, a irmã CRAP vem apresentando um sangramento importante, mesmo no período intermenstrual. A ultrassonografia demonstra endométrio espessado e irregular. A conduta deve ser:

Alternativas

  1. A) Histerectomia total.
  2. B) Estrogênio + progesterona oral.
  3. C) Curetagem uterina.
  4. D) Histerossonografia.
  5. E) Histeroscopia diagnóstica com biopsia.

Pérola Clínica

Sangramento uterino anormal + endométrio espessado + fatores de risco → Histeroscopia com biópsia para excluir malignidade.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sangramento uterino anormal, endométrio espessado e múltiplos fatores de risco para câncer de endométrio (idade >40, obesidade, diabetes, hipertensão, nuliparidade). Nesses casos, a histeroscopia diagnóstica com biópsia dirigida é a conduta mais adequada para avaliar a cavidade uterina e obter material para análise histopatológica, excluindo ou confirmando malignidade.

Contexto Educacional

O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa ginecológica comum, especialmente em mulheres perimenopausadas e pós-menopausadas. Quando associado a um endométrio espessado na ultrassonografia e a fatores de risco para malignidade, a investigação se torna crucial para excluir condições pré-malignas ou malignas, como a hiperplasia endometrial atípica ou o câncer de endométrio. A paciente do caso apresenta múltiplos fatores de risco para câncer de endométrio: idade (44 anos, perimenopausa), obesidade, hipertensão, diabetes e nuliparidade (virgem). O sangramento intermenstrual e o endométrio espessado e irregular na ultrassonografia são sinais de alerta que exigem uma investigação aprofundada. Nesse contexto, a histeroscopia diagnóstica com biópsia dirigida é a conduta mais apropriada. Ela permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando pólipos, miomas submucosos ou áreas de hiperplasia/câncer, e a coleta de amostras de tecido para análise histopatológica precisa. Isso é superior à curetagem uterina cega, que pode perder lesões focais, e essencial para um diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para câncer de endométrio?

Os principais fatores de risco para câncer de endométrio incluem idade avançada, obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, nuliparidade, uso de tamoxifeno e síndrome dos ovários policísticos. A paciente do caso apresenta vários desses fatores.

Por que a histeroscopia com biópsia é a melhor conduta para endométrio espessado com sangramento?

A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando lesões focais como pólipos ou áreas de hiperplasia/câncer. A biópsia dirigida sob visão direta garante a coleta de material representativo para o diagnóstico histopatológico preciso.

Qual a diferença entre curetagem uterina e histeroscopia com biópsia no diagnóstico de sangramento anormal?

A curetagem uterina é um procedimento cego que pode não remover adequadamente lesões focais. A histeroscopia, por outro lado, é um método visual que permite a biópsia direcionada de áreas suspeitas, aumentando significativamente a acurácia diagnóstica para condições como hiperplasia ou câncer de endométrio.

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