Conduta no Sangramento Pós-Menopausa e Endométrio Espessado

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Uma mulher com 65 anos de idade, diabética, nulípara, com menopausa há 15 anos, procura a Unidade Básica de Saúde, referindo sangramento vaginal há uma semana, sem outras queixas, e nega uso de terapia hormonal. Ao exame físico, bom estado geral, com sinais vitais normais, índice de massa corporal = 32 kg/m², sem outras anormalidades ao exame físico. O resultado da ultrassonografia transvaginal evidencia útero com 60 cm³, miométrio homogêneo e endométrio com espessura de 8 mm; ovários não visibilizados. Com base nas informações apresentadas, a conduta adequada é:

Alternativas

  1. A) Solicitar histeroscopia.
  2. B) Solicitar tomografia computadorizada da pelve.
  3. C) Prescrever progestágeno e repetir ultrassonografia após 30 dias.
  4. D) Prescrever anti-inflamatório não hormonal e solicitar retorno em 3 meses.

Pérola Clínica

Sangramento na pós-menopausa + Endométrio ≥ 5mm → Investigação obrigatória com Histeroscopia.

Resumo-Chave

Qualquer sangramento vaginal na pós-menopausa deve ser investigado. Um endométrio de 8mm (acima do corte de 4-5mm) em paciente sintomática exige avaliação histológica via histeroscopia.

Contexto Educacional

O sangramento uterino na pós-menopausa é um sinal de alerta que deve sempre ser investigado para excluir o carcinoma de endométrio, que está presente em cerca de 10% das mulheres com esse sintoma. A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial de triagem. Quando a espessura endometrial ultrapassa os limites de segurança em pacientes sintomáticas, a avaliação da cavidade uterina torna-se mandatória. A histeroscopia destaca-se por sua alta sensibilidade e especificidade. Além de diagnosticar câncer, ela identifica causas benignas comuns, como atrofia endometrial (causa mais frequente de sangramento), pólipos e miomas submucosos. No contexto desta paciente diabética e obesa, a vigilância deve ser rigorosa, pois o perfil metabólico favorece patologias proliferativas do endométrio.

Perguntas Frequentes

Qual o valor de corte para o endométrio na pós-menopausa?

Para mulheres na pós-menopausa que apresentam sangramento vaginal, o valor de corte ultrassonográfico para considerar o endométrio normal é de até 4 a 5 mm. Se o endométrio for maior que 5 mm em uma paciente com sangramento, o risco de patologia endometrial (incluindo hiperplasia e carcinoma) aumenta significativamente, tornando necessária a investigação histológica. Em pacientes assintomáticas (sem sangramento), alguns protocolos aceitam espessuras maiores (até 8-11 mm) antes de intervir, mas a presença de sintomas muda drasticamente a conduta.

Por que a histeroscopia é preferível à curetagem uterina?

A histeroscopia diagnóstica é considerada o padrão-ouro porque permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando lesões focais como pólipos ou áreas suspeitas de malignidade que poderiam ser perdidas em procedimentos cegos. Além disso, permite a realização de biópsia dirigida, aumentando a acurácia diagnóstica em comparação com a curetagem uterina ou a biópsia de consultório (como a Pipelle), que são métodos de amostragem às cegas e podem apresentar resultados falso-negativos em lesões localizadas.

Quais os principais fatores de risco para câncer de endométrio nesta paciente?

A paciente apresenta múltiplos fatores de risco clássicos para o câncer de endométrio: idade avançada (65 anos), obesidade (IMC de 32 kg/m²), diabetes mellitus e nuliparidade. A obesidade é particularmente relevante, pois o tecido adiposo converte androgênios em estrogênios (estrona) via aromatização periférica, levando a um estado de hiperestrogenismo relativo sem a oposição da progesterona, o que estimula a proliferação endometrial e aumenta o risco de transformação maligna.

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